Eu sabia que o mundo estava pegando fogo, mas, mesmo assim, eu deixava arder.
Era como se, ao fazer isso, eu me sentisse viva, menos dona situação; mais dona de mim. Eu permiti que palavras queimassem; que sonhos se inflamassem e se tornassem pó. Eu deixei todos os meus esforços para trás. Não havia adiantado.
Toda entrega exige alguma renúncia. Eu não estava mais disposta a renunciar partes de mim mesma. Por isso deixei o mundo queimar, se despedaçar em cinzas. Por isso não tentei impedir que o vento arrastasse tudo.
Eu estive para além do meu limite. Não podia mais permitir. Por isso deixei o mundo se tornar um inferno de calor e confusão. Por isso eu me permiti ver tudo ser pulverizado daquela forma, naquele instante.
Nada daquilo valia mais alguma palavra. Que tudo queime de novo, e de novo, e de novo...