Em seu olhar...

12:46:00

Há um cansaço em cada olhar por onde ando. De formas distintas, cada um tem seu caminho e, dentro dele, os muros a transpassar. Vejo olhos jovens, velhos, mornos, gélidos, com alguma ou sem alguma vida. Todos me soam cansados. Cada um com seu grau. Cada qual com seu quinhão de esperança. 

Vejo olhos em plena fadiga, mas não apenas física. É um olhar que denota algo como uma derrota. É uma sensação de que ao entrar naquele ônibus de cada dia lotado e calorento a vida se perde um pouco mais. Um pouco mais de energia fica para trás. 

Muitas vezes, no meio desse mesmo turbilhão, percebo que fixo o meu olhar em outro, que está vagando pela coletivo, pela vida, pelas pessoas. Uma ponta de dor me passa, deixa uma marca e me transforma, mesmo que de modo rápido e apenas naquele instante. Nessas horas sempre me vêm à cabeça questionamentos, desde o mais simples, como o que será que aquele olhar vê, até os mais complexos, como por que aquilo de algum modo parece me afetar.

Nunca é fácil sentir demais. Nunca me passará pela mente sentir de menos. Aqueles olhares me revelam, mesmo em minha ignorância, algo. Aqueles olhos me contam um pedaço de uma história. Aqueles buracos negros me sugam para um universo à parte em que cada um sabe a dor e a alegria que carregam. 

Obrigada!

08:56:00

Há muito tempo busco ser o mais grata possível. A tudo. Em absoluto. Tarefa simples e fácil? Não mesmo. Sou uma alma que apesar de não querer o mundo, está em constante conflito com desejos, sonhos e realidade, como a grande maioria da humanidade, imagino. Mas, experiências de minha vida têm me mostrado que tudo há um motivo. Há quem não acredite nisso e opte pelo acaso, ou qualquer coisa do gênero. Eu não. Não penso que viver é um jogo aleatório mas, também, não a vejo como um jogo de cartas marcadas. Seria fechar demais a amplitude dela.

Voltando às vivências... somos muito felizes e gratos quando algo positivo nos acontece, de modo inesperado ou não. Um presente, aprovação numa universidade, uma viagem para fora, etc. Entretanto, quando nos deparamos com situações ruins, como são julgadas, temos uma forte tendência a querer esquecê-las sem ao menos pensar de modo consciente como elas  podem ter contribuído de algum modo. 

Acredite, hoje, quando olho para mim, sinto uma ponta de orgulho quando revejo coisas do meu passado e percebo: caí, chorei, sofri e errei. Por outro lado, cresci, aprendi a me perdoar e a recomeçar. Sinto-me mais forte e não é papo de autoajuda. É viver. É experimentar o dito negativo e sobre[viver] a isso. 

Por isso, neste momento em que escrevo, sou grata. Sou grata a tudo que me fez amadurecer, mesmo que tenha me custado lágrimas, momentos trancada em mim, em meu quarto e afastamento. Sou grata por ter uma família que, apesar das diferenças, está comigo, sempre; por ter pessoas com as quais cultivo um relacionamento bem próximo e aconchegante. Sou grata pelos gestos sutis e amorosos; às palavras de carinho, aos dias de risos, de compartilhamento de histórias e emoções. Sou grata ao que precisei encarar, como medos, situações desconfortáveis, brigas e catarse.  

Sou grata por ter um corpo que mantém tudo em constante funcionamento. Tenho ar nos meus pulmões, pernas para trilhar minha estrada, olhos para ver o belo, uma mente para perceber o que é realmente necessário e um coração que sente, sente, sente e sente. Até demais.

À vida, obrigada! 



Da página Viajantes Solitários:

"Na Índia, são ensinadas quatro leis da espiritualidade: 

A primeira lei diz: “A pessoa que vem é a pessoa certa”. Ninguém entra em nossas vidas por acaso. Todas as pessoas ao nosso redor, interagindo com a gente, têm algo para nos fazer aprender e avançar em cada situação.

A segunda diz: “Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido”. Nada, absolutamente nada do que acontece em nossas vidas poderia ter sido de outra forma. Mesmo o menor detalhe. Não há nenhum “se eu tivesse feito tal coisa…” ou “aconteceu que um outro…”. Não. O que aconteceu foi tudo o que poderia ter acontecido, e foi para aprendermos a lição e seguirmos em frente. Todas e cada uma das situações que acontecem em nossas vidas são perfeitas.

A terceira diz: “Toda vez que você iniciar é o momento certo”. Tudo começa na hora certa, nem antes nem depois. Quando estamos prontos para iniciar algo novo em nossas vidas, é que as coisas acontecem.

E a quarta e última afirma: “Quando algo termina, ele termina”. Estamos nessa vida para viver inúmeras experiências, e se continuarmos sempre voltando as mesmas páginas deixaremos de ler outros livros maravilhosos que só estão aguardando por uma chance para entrar em nossas vidas. Por isso vire a última página sem dor no coração e pegue o próximo livro.

Surpresas maravilhosas estarão te esperando, basta você abrir o livro e começar a ler esse novo capitulo da sua vida."

Respeito é bom e eu gosto!

08:01:00

Vi um post revoltado de um colega. Parei, então, para ler tudo que ele havia escrito e me deparei com uma situação que, não raro, vemos aos montes por aí. Alguém tinha jogado ideia em sua namorada de forma escancarada, mesmo sabendo que a moça era comprometida. 

Eu nem tenho que dizer o quanto isso é desnecessário e imaturo. Nem tenho que afirmar que ações assim só revelam uma incapacidade cada vez maior de não enxergar o outro; uma vontade de passar por cima de uma pessoa, seja pelo aparente prazer que isso pode proporcionar a alguns, seja pelo real desejo de “possuir” a grama do vizinho, ou seja pelo fato de querer tentar causar algum desiquilíbrio na relação. 

De todas essas formas, entretanto, o motivo é apenas um: a falta de respeito. Mas, engana-se quem pensa que é um desrespeito apenas direcionado a terceiros. Antes de tudo, atitudes como essa passam pelo indivíduo. Se você é capaz de fazer algo assim, sinto em informar que está se desrespeitando e, óbvio, causando o mesmo ao outro. É um ciclo.

Respeito não se compra, evidentemente. Aprende-se. Internaliza-se. Passa-se para frente. Respeito não é papo de gente antiga e quadrada. É assunto para todos nós, em todos os momentos, inclusive em tempos como o atual, em que a essência de muita coisa parece estar se perdendo em sombras de dias estranhos. Respeitar a si mesmo e aos demais é uma questão de consciência e de amor. Pratiquemos!

Humano

04:56:00

Ponto cheio. Tarde da noite e todos querem pegar sua condução o mais rápido possível. Ameaça chover de novo. Um 555 para no ponto e ninguém sobe. Uma moça começa a fazer sinal, mas não a vejo se mexer para subir no veículo. Então eu percebo. Ao longe, um rapaz vem correndo, agoniado e afobado. Estava com medo de perder o transporte para casa. 

O gesto da moça fez com que seu desejo fosse cumprido. Então ela diz: coitado, vem correndo. Todo dia pega esse ônibus! - Ele sobe completamente sem ar e, ao sentar na cadeira da frente, não esquece: faz um joinha para sua salvadora e abre um sorriso sincero. Sei lá por qual motivo quis falar sobre. Achei bonitinho. Achei humano.