Lições da vovó

06:40:00

- Olha, que tênis mais bonito, Daniel! - Disse a vovó querendo animar o netinho de 4 anos a usar o novo sapato que havia ganhado do pai.
- Eu não gostei dele... - retrucou o pequeno, meio manhoso.
- Fala assim não, meu filho. Você sabia que tem criança que vai de chinelo pra escola? - Falou a senhora.
- Por quê? 
- Porque o papai dele não tem dinheiro para comprar, meu filho.
- Nadica?
- É, às vezes nada, meu filho. - Soltou suavemente a avó.

Ele pareceu ficar pensativo sobre o que acabara de receber da avó. Por fim, cedeu. Seus pés agora estão calçados com mais um par de tênis. 

17:41:00


Dores

10:29:00

Existem dores inexplicáveis.

Não existem palavras que conseguem descrevê-las, ou sequer chegar perto de sua essência.

Há um quê de indecifrável, de intransponível, de fadado, de sofrido demais para conseguir ser verbalizado.

Existem dores que mais parecem físicas do que qualquer outra coisa. É como sentir o coração mole, que só de encostar corre o risco de esmorecer, de se queimar.

Há dores que parecem nunca serem esquecidas, mas apenas diminuídas.

Há aquelas que hão de deixar marcas profundas e duradouras. Cicatrizes que vão compor o cenário do caos deixado.

São dores da faca, do sufocar, das palavras não ditas, dos gestos feitos, das lágrimas que nunca secam e transbordam feito sangue pelo chão.

São dores que puseram em chamas o peito, a esperança. 

Há dores inexplicáveis demais... e tudo que se pode fazer é senti-las e fazer uma oração para a noite, implorando por misericórdia e dias de paz. 

Pecados

09:44:00

Em algum momento de sua vida já teve a sensação ou a certeza de que todos os seus pecados caíram nos ombros? 

Como foi que se sentiu? Sentiu um peso praticamente físico, ou simplesmente quase sufocou com algum monstro interno que lhe roubava o ar?

Como foi que olhou pra si mesmo, no espelho? Viu apenas o seu reflexo, triste e pensativo, ou viu o que realmente era? Como se sentiu?

Como lidou com o fardo de tantas desventuras e ideias equivocadas? Você chorou? Você correu atrás para tentar replantar com algo bom, ou simplesmente não quis enxergar, mesmo em meio ao campo de dor?

Como você vislumbrou sair desse ciclo? Mirou num futuro de músicas mais bonitas, ou simplesmente fechou seus ouvidos e seu coração a qualquer outra canção? Manteve-se fiel às causas perdidas mesmo no campo de dor e desatino?

Como pretende viver com todos esses pecados recaindo, dia após dia, sobre seu pequeno mundo frágil?

Como pretende se olhar daqui em diante? Terá alguma atitude realmente concreta e importante, ou se manterá ali, em meio ao campo de dor?

"And I can see you, running through the fields of sorrow..."

19:38:00


Oposto

09:03:00

"O oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença..."

Eu nem sei mais quantas vezes ouvi essa frase nos últimos tempos. Ela veio de bocas tão diferentes, de pessoas tão distintas, que só consigo pensar na razão disso. Por muitas mentes, o contrário de amar é odiar. Mas, se pararmos para refletir só um pouco mais, bem, faz mais sentido a indiferença, certo?!Sentir ódio ainda é sentir, de certo modo, amor. 

Sei lá, só mais uma divagação confusa da minha parte. 

Saturnine

16:56:00

Gentes, eu precisava compartilhar esta música, esta banda. Ouçam comigo :)


Primeiro encontro

10:27:00

Ele se sentou à minha frente e falava calmamente sobre coisas de sua vida. Eu gostei de ouvir. Era uma forma muito tranquila de soltar as palavras. Era um modo leve, beirando à falta de pretensão. O barzinho estava repleto de jovens estudantes recém-saídos de seus afazeres de universitários.

Bebemos bem pouco. Conversamos consideravelmente. No entanto, quase nunca seus olhos saíam de perto de mim. Eu retribuía sempre que falava, mas, na falta de assunto, olhava para todos os cantos, menos para ele. Era a velha sensação de vergonha. Flertar depois de um longo tempo num relacionamento pode causar isso.

Era um pouco estranho, digamos. Eu sentia meu estômago revirar, vontade de sair correndo de volta para minha cidade, as mãos frias. Por dentro, zombava de mim mesma. "Ué, cadê sua coragem agora, Bruna?". Mas, enfrentei todo esse vulcão queimando violentamente dentro de mim e dei a cara à tapa. 

Saímos de lá e fomos andando até o carro. Continuamos a falar, e falar. Eu já não sentia mais estranheza.

Ele foi gentil e me trouxe até perto de casa. Até então, só seus olhares diziam o que ele queria: me desafiar. Quando chegamos, ele não perdeu muito tempo e me deu um beijo. Nos despedimos e eu fui para casa pensando como era bom me sentir assim, viva, dona de mim, certa de que era assim que queria estar. 

Deitei na cama e sorri. Foi bom o primeiro encontro.