Quando a gente vai atingindo certas idades, algumas "determinações" parecem que vêm acompanhando essas fases. Para e pensa: quando se é criança, espera-se que você SAIBA se comportar na mesa do jantar, ou quando visitas chegam.
Quando se atinge a adolescência, por outro lado, esperam que você já comece a delinear qual será seu futuro; o que vai querer ser, fazer, onde vai querer construir isso.
Quando se é mulher e um determinado número vem se somando à idade, bem, digamos que algumas outras pressões vão compor esse quadro maravilhoso chamado realidade.
Do que estou falando? Ah, acho que não é difÃcil imaginar. Estou chegando aos 30, neste ano, e mesmo antes disso já perdi as contas de quantas vezes me perguntaram sobre namorado ou sobre quando me casaria, teria filhos. Essas questões vinham independente de eu ter ou não alguém. Essas pessoas podem não saber, o que não acredito, mas esse é o tipo de coisa meio babaca a se fazer.
Oras! E se eu não quiser casar, ter filhos, ter alguém? Mesmo que queira tudo isso, por que isso deve ser pauta de uma entrevista em churrascos de famÃlia ou em outros ambientes?
Às vezes, esse tipo de comportamento me faz pensar que eles só querem ver aquela mulher ligada a um homem (sim, dessa forma), para que, assim, cumpra seu papel social bonitinho.
Por que é tão importante "pertencer" a alguém antes mesmo de se pertencer?
Então isso vai se acumulando. São perguntas; são ofertas de "vamos te apresentar a alguém"; ou até por grupos de amigos comprometidos que numa quantidade infinita relatam suas vidas de casa e problemas domésticos. Ok. Este último não é algo a se culpar. Cada um seguiu sua vida e a construiu. Louvável. O lance é que lá no fundo, por algumas vezes, algumas pessoas vão se sentir deslocadas, fora de um padrão estabelecido lá fora e até mesmo ali dentro, mesmo que sem querer.
Já viveu isso? Estar num grupo em que todos estão acompanhados e você é a única pessoa sem um apoio emocional? Não vou mentir, isso já me incomodou algumas boas vezes. Mas depois isso vai se tornando uma caricatura, algo a ser encarado com naturalidade e discernimento.
Eu sou daquelas, creia você ou não, que acredita que as coisas têm sua hora para rolar. Eu realmente penso que por aÃ, qualquer dia desses, vai rolar um esbarrão de minha alma com alguma outra, e aà essa espécie de mágica desastrada, incerta e real vai acontecer. Acredite, não estou sendo romântica. Meus pés estão bem no chão.
Mas, quer saber?! Sem pressa, sem pressão. Se for para sair de qualquer jeito, não, obrigada. Isso já rolou muito. Se for pra vir, para ser, que seja em plenitude e serenidade.
