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Os olhos que cruzam sabem exatamente o que os olhos que são fitados dizem. Nada passa despercebido aos olhos de quem está sempre atento, sempre procurando por sinais. Os olhos lhe falam algo. Eles sabem o que dizer, como dizer, o que sentir.

Os dizeres também não lhe escapam. Cada palavra não dita está lá, pairando sobre as frases e orações jogadas. Cada silêncio tem seu significado. Dependendo do tempo do silenciar, um dizer, um sentir. Mas isso não lhe escapa, pois sabe ler as entrelinhas.

Os gestos também lhe dão as cartas do jogo. Sabendo quando um ar de expectativa é lançado; quando o desejo vem e transborda o coração. Nada disso lhe é estranho; tudo, por mais sutil, é notado, compreendido, mesmo antes de saber disso.

Por fim, a voz, o som melodioso com o qual as palavras caem dos lábios. Como poderia não ser notado? Como poderia não perceber o que se diz?! 

Nada foge ao seu olhar atento. Raro, porém ainda existente por aí.