17:16:00

Há muito tempo não sentia e há muito procurava, mas agora se perdeu. Não foi culpa minha, nem dele; foi apenas a vida passando, nos rodeando, nos dando as mãos para nos desencontrarmos em seguida. 

O que há de errado? Por que o que veio tão bom para mim precisa me ser retirado? Que pecados haveria eu cometido para uma vez mais me ver aqui, sentada, sem um gota salgada para deixar cair, sentindo a perda?

Meu coração, mais uma vez, se fere, mantém um luto de uma vida inconstante demais dentro de um ciclo de desamor. 

O que eu queria, queria tanto, apareceu para mim, mas me foi recusado. Mais uma vez, cato as esperanças despedaçadas no chão, respiro fundo e espero. 

07:30:00

Eu te perdoo por tudo que sei e pelo o que não sei. Te perdoo para que possa crescer em sabedoria, para que possa sentir as amarras soltas.

Eu te perdoo para que possa ser melhor, seguro e amado. Eu te perdoo porque não poderia fazer outra coisa senão essa, pois eu sou amor. Eu te perdoo para que minha alma se regozije de uma boa vida, de bons ensinamentos.

Eu te perdoo porque mesmo não admitindo em tempo passado, você me deu um pedaço de uma vida, apesar de também ter me oferecido um quinhão cruel.

Eu te perdoo para que seja perdoado. Para que, quem sabe, um dia, assuma seu pecado e se perdoe; para que evolua seu coração e sua mente. 

Eu te perdoo porque acho arriscado estar nesta vida e não transformar quaisquer resquícios de mágoa ou dor em luz que habita meu peito.

Eu te perdoo. 






16:18:00

Eu nem esquento a cabeça, vou levando numa boa, num embalo lento, quase parando.
Eu não me importo com o suspense, com os suspiros no canto, com o andar vagaroso.
Eu me realizo mesmo é no contrassenso, nos desavessos de uma vida vermelha, regada a cheiros.
Sou uma paradoxo ambulante, talvez; um alguém que quer e ao mesmo tempo não um lar;
que deseja, deixando de desejar em seguida, a vida quieta demais, com ares de morno.
Então, sem responta, me levanto preguiçosa, ando descalça pelo chão frio e abro uma breja.
Vai que alguma resposta aparece no fundo da garrafinha. 



14:10:00

Muito do que precisamos está no compartilhar, em ter com quem contar, com quem jogar conversa fora, rir de quase nada, contar sobre seu dia, mostrar algo que você ama, que alimenta seus sonhos. É por isso que compartilhar é tão belo e, penso, não deve ser um ato leviano, jogado aos ventos. Ao contrário, deve ser feito com ardor, com a intensidade que habita o peito. Escolher a sensibilidade não é fácil... ser intenso não é fácil. Você sabe, sabe bem, que uma hora haverá lágrimas, haverá certo amargor, mas também acredita com a fé de mil crentes que a vida só vale ser vivida se for pra ser sentida, talvez com um quê de enlouquecida. Viver no morno não me interessa. Eu quero compartilhar.

08:07:00

“Como pode duas pessoas que se dizem amigas viverem em pé de guerra?”

“Aí depois a gente joga a pessoa na poça d’água e a gente ainda é ruim.”

O mundo dá voltas e o pequeno saco de caos não muda. 
Da série conversas de loucos. 

17:48:00

E eu pensava que havia me tornado uma cética. Não acreditava mais em tantas palavras; não acreditava mais em amores; não sentia firmeza nas ações do outro.

Estava me tornando aquilo que mais temia... 

14:14:00

Eu me tornei jornalista por alguns poucos motivos. Porém, para mim, cada um deles era forte. 

Para começar, eu gostava de escrever, de tentar imaginar histórias, de lidar com a caneta e uma folha de caderno. Não, não penso que sou uma escritora ou poetisa, nada do tipo. Eu só sempre me senti bem tentando por no papel o que estava na minha mente. Ok, o jornalismo não é, necessariamente, tudo que se pensa ou se sente, quer dizer, ao menos é o que aprendemos na faculdade. Não vou entrar no mérito do que é visto de verdade ou entrar numa questão pseudo-filosófica sobre a profissão. Só estou querendo dizer que o ato de escrever foi o primeiro a me impulsionar.

Em seguida, não menos importante, veio o segundo fator: eu achava que através desse ato de pertencimento ao universo jornalístico eu poderia somar, fazer alguma diferença em algum lugar... ou para alguém. Sinceramente, creio que este era o motivo que mais pulsava naqueles anos.

Por fim, digamos, era o meu gosto por ouvir também. Sempre admirei pessoas que conseguiam parar para ouvir o mundo, as pessoas ao redor e até mesmo o que pequenas coisas tinham a dizer. Sinceramente, na minha opinião, esse é o preceito básico para um bom jornalista: saber ouvir. Não sair questionando a torto e a direito sem algum embasamento ou, pior, sem sequer conseguir ouvir o que o (s) outro (s) tem a dizer é um pecado grave. 

E é disso que eu quero falar nesta página digital. Quero falar sobre o ouvir. Sobre o estar atenta, de frente para alguém, e simplesmente ouvir. 

Além das experiências que a vida mesmo me colocou, como ouvir amigos, ou alguém da família, eu estive em uma bem marcante, quando iniciei meu trabalho de conclusão de curso. Havia escolhido fazer um livro-reportagem contando história de algumas mulheres resilientes. Fui em busca de minhas heroínas e as encontrei. Horas de gravação, mais horas ainda de transcrição e de tentar juntar o quebra-cabeça fantástico que é construir uma grande reportagem. Exige tanto da massa cinzenta, mas também do coração. 

Eu ouvia o máximo; intervinha o mínimo que podia, apenas o necessário. Se era fácil? Não, nem um pouco. Não digo isso por não ser prazeroso, porque, oras, era. Digo porque são histórias de vida tão ricas, tão enredadas e complexas que cada frase merecia mais umas duzentas perguntas. Calar tudo isso e apenas escutar e aguardar o momento e a pergunta "certa" eram meu norte. Foi difícil e nem sei dizer se fiz bem, mas sei de uma coisa: fiz o meu melhor para além de nota ou de uma graduação; fiz por elas. 

As duas senhoras que deram vida ao meu projeto são exemplos de força, resiliência e determinação. Nenhuma deixou a cabeça abaixar mesmo nas dores mais terríveis ou nas experiências mais esdrúxulas. Como eu poderia sair disso a mesma? Impossível! Elas me inspiraram e até hoje me acompanham em pensamento. Eu quero ser forte como elas me mostraram ser possível.

É o que venho tentando ser, da forma como posso, caindo sempre, levantando a maior parte da estrada e sonhando. Há quem diga que sou crítica demais comigo mesma. Talvez seja verdade, talvez eu exija de mim o lado guerreiro que ainda não consigo me dar, mas eu sei que é só o caminho, o percurso, não é o fim dele. 

Foi ouvindo que conquistei alguns bons conselhos; foi ouvindo que consegui superar uns momentos delicados e tristes, além de marcantes; foi ouvindo, mesmo de forma desajeitada, talvez torta, talvez tardia, que me despi de pensamentos equivocados, de amores errados e alcei outro voo. É ouvindo que busco estar próxima dos meus; é dessa forma que tento ajudar, contribuir com meus amigos e com quem amo. Ouvir o outro é um presente, um dos mais caros que podemos oferecer a alguém. Ouvir é uma dádiva. Nem todos alcançam ou nem todos a querem. Ouvir pode ser porta para novos contrastes, sonhos; é ouvindo que talvez uma vida seja salva. 

Eu pretendo continuar tentando ouvir. Mais que isso, ouvir e absorver. Vou continuar tentando ouvir o que a natureza tem a dizer, o que minhas ações gritam sobre mim, o que meus amigos e minha família me dizem; o que as experiências cotidianas estão querendo me dizer. 

É assim que gosto de levar a vida; são pessoas assim que fazem meu coração se manter aconchegante e grato.

Obrigada a quem me ouviu; obrigada a quem continua me ouvindo, demonstrando empatia e carinho. Ouvir é um presente, repito, e esse é o mais especial que vocês me dão. 

P.S.: Que sempre nos lembremos que ouvir é um ato de amor, mas uma grande responsabilidade. 



13:29:00

E, por vezes, não há um sentido, uma explicação aparente e consciente. Só há, no peito, a sensação, o tom de sufocamento, de um grito calado, mas inquieto. Perde-se, então, a lógica, o senso de direção e as vontades.