13:38:00

Os olhos que cruzam sabem exatamente o que os olhos que são fitados dizem. Nada passa despercebido aos olhos de quem está sempre atento, sempre procurando por sinais. Os olhos lhe falam algo. Eles sabem o que dizer, como dizer, o que sentir.

Os dizeres também não lhe escapam. Cada palavra não dita está lá, pairando sobre as frases e orações jogadas. Cada silêncio tem seu significado. Dependendo do tempo do silenciar, um dizer, um sentir. Mas isso não lhe escapa, pois sabe ler as entrelinhas.

Os gestos também lhe dão as cartas do jogo. Sabendo quando um ar de expectativa é lançado; quando o desejo vem e transborda o coração. Nada disso lhe é estranho; tudo, por mais sutil, é notado, compreendido, mesmo antes de saber disso.

Por fim, a voz, o som melodioso com o qual as palavras caem dos lábios. Como poderia não ser notado? Como poderia não perceber o que se diz?! 

Nada foge ao seu olhar atento. Raro, porém ainda existente por aí. 




15:33:00

Perdi as contas de quantas vezes passei noites em claro; de quantas xícaras de café me fizeram companhia. Eu perdi as contas de quantas vezes desejei, lutei, esbravejei... em minha cabeça. Eu perdi as contas. Eu perdi minha mente. 

08:24:00

E eu me apaixonei pela tranquilidade dele; pelo tom de voz gostoso de ouvir e pela calma que cada palavrinha que sai dele gera. Eu me apaixonei porque era inevitável. Ele é um gostoso afago do sol em meus cabelos; ele é aquela brisa calma da beira-mar. 

Bem-vindo, sol

06:31:00

O dia estava encoberto. Nada de novo, até então, já que a semana já tinha sido assim praticamente inteira. Mesmo assim, o tempo estava alegre de alguma forma, quente, com certeza. Então, antes de irmos embora daquela pousada onde passamos um fim de semana tão leve, resolvemos caminhar pela areia da praia.

Que delícia era estar ali, sentindo meus pés tocando os pequenos cascalhos na areia, sentindo o frescor da água do mar, uma das minhas coisas favoritas no mundo. Melhor que isso era estar com ele, segurando minha mão com a sua, sempre quente e terna. Uma sensação de contentamento e segurança me invadia, irradiava sobre mim, como o sol, mesmo tímido.

Foi então que, de modo simples e todo sem jeito, ele perguntou sobre nós, sobre nosso futuro. Eu sabia o que ele queria dizer, mas não queria conduzir a conversa; queria ouvir dele. Então, sob a luz de um céu quente e encoberto, com água do mar sobre nossos pés e calor no coração eu disse meu sim a ele. 

Me senti feliz. Era um conjunto tão simples, tão certo e tão paz... era o que meu coração já desejava; era o que eu ansiava encontrar. E ele estava ali, para mim, para segurar minha mão e me ouvir com sua calma que me fascina. 

Acho que o calor que carregava dentro do meu peito transpareceu a quem passava... uma senhora, talvez percebendo, abriu um largo e sincero sorriso para nós assim que passamos ao seu lado e nos deu um bom presságio ao nos dizer o quanto éramos bonitos, juntos, e amor.

Se alguém bater na porta, atenda com respeito!

10:04:00

Tenho visto muitas coisas por aí sobre responsabilidade afetiva.

Não sou expert no assunto, mas eu gostaria de falar sobre, afinal, como parte de um enorme grupo, também já estive naquela posição desgastante de se doar e receber atitudes vazias ou completamente gélidas.

Veja bem, não estamos falando que uma pessoa é obrigada a gostar de você, até porque isso nem existe, mas mesmo que fosse possível, ela deve ter a escolha, é claro. O que estou falando, ponderando com o pouquinho de experiência que tenho é que, apesar disso, se você escolhe se relacionar com alguém, seja por uma noite, seja por meses, não seja um cuzão ou uma cuzona com o outro.

Por que se fantasiar, esconder suas reais intenções? Ou, então, para que tratar uma pessoa com pontas de desprezo, formando vácuos que estão além daqueles dos vácuos de whatsapp ou messenger? O que se ganha com isso? É alguma forma de se autoafirmar neste mundinho egoísta?

Por que não adotar uma postura mais responsável com o outro? Vivemos um século que se fala tanto em empatia também. Você não é obrigado (a) a estar com alguém, mas, se por algum motivo estiver, respeite-a, seja sincero (a); dê a essa pessoa um tratamento humano. Se você não quiser mais estar, tudo bem; você é livre, sempre. Mas faça isso com dignidade, tanto para a pessoa quanto para você. As pessoas não são copos de cerveja descartáveis. Idiota dizer isso, mas às vezes me parece que é
o letreiro que falta ficar piscando na cara de muita gente.

Responsabilidade afetiva não se trata de ficar, mas sim de estar ou de ir com honestidade, com empatia, com sinceridade. Lembre-se que expectativas também são criadas a partir do que você fala, ou não fala, do que você faz, ou deixa de fazer. 

Não se trata de iludir com algum gestinho ou palavrinha bonitinha para "confortar" alguém (pelo amor Jah... não seja esse cu em forma de gente). Mas se trata de olhar com respeito para quem está a sua frente e dizer que não pode ou não quer estar. 

A quem ainda vai atrás, envolvido num manto de gostar e de se deixar pra depois, eu me lembro de uma tirinha que vi esses dias na internet, que diz que ninguém nos obriga a correr atrás de ninguém, e que da mesma forma como decidimos correr, também podemos nos decidir a parar de correr. Pare de correr. Decida-se por você. Pelo seu bem-estar. Pode doer um pouco no começo, mas é o caminho. E digo mais: é libertador. 

Tenha responsabilidade por si mesmo (a).



12:38:00

Tem sido recorrente nos últimos tempos eu acordar com o coração apertado, com uma angústia pesada - uma que quase rouba o ar -, e sentindo tons de desespero. 

Nunca me recordo como e quando começa, mas é sempre associado à morte. Como por estalo eu semi-acordo do mundo onírico e lá, distante, mas não o suficiente para não ser pensado e ouvido, eu vejo, eu toco, eu vivencio o pensamento: e quando ela, e quando ele morrer?

E QUANDO VOCÊ MORRER?

Meu coração, mais que depressa, explode numa dor sufocante, como se me arrancassem uma porção física. O peito fica pesado. Mesmo acordada, olhando para o teto e respirando a realidade, a de que estamos todos vivos, a sensação não me deixa. Sinto meus olhos queimarem, me sinto como uma menina outra vez, implorando à vida para que não faça seu curso natural.

Tem sido recorrente e eu não entendo o motivo. Me sinto culpada por dormir. Parece que ao fazer esse gesto tão natural e essencial meu inconsciente me afasta da minha vida real e me faz pensar no pior. Então levanto, ainda sentindo o ar atravessar meu corpo de forma difícil, e me pergunto por que não faço mais do que até agora; por que ainda estou sentada na cama.

Me sinto pequena, me sinto impotente e despreparada para o curso da vida. Sinto que essa angústia pode vir a se tornar uma velha conhecida. 



17:16:00

Há muito tempo não sentia e há muito procurava, mas agora se perdeu. Não foi culpa minha, nem dele; foi apenas a vida passando, nos rodeando, nos dando as mãos para nos desencontrarmos em seguida. 

O que há de errado? Por que o que veio tão bom para mim precisa me ser retirado? Que pecados haveria eu cometido para uma vez mais me ver aqui, sentada, sem um gota salgada para deixar cair, sentindo a perda?

Meu coração, mais uma vez, se fere, mantém um luto de uma vida inconstante demais dentro de um ciclo de desamor. 

O que eu queria, queria tanto, apareceu para mim, mas me foi recusado. Mais uma vez, cato as esperanças despedaçadas no chão, respiro fundo e espero. 

07:30:00

Eu te perdoo por tudo que sei e pelo o que não sei. Te perdoo para que possa crescer em sabedoria, para que possa sentir as amarras soltas.

Eu te perdoo para que possa ser melhor, seguro e amado. Eu te perdoo porque não poderia fazer outra coisa senão essa, pois eu sou amor. Eu te perdoo para que minha alma se regozije de uma boa vida, de bons ensinamentos.

Eu te perdoo porque mesmo não admitindo em tempo passado, você me deu um pedaço de uma vida, apesar de também ter me oferecido um quinhão cruel.

Eu te perdoo para que seja perdoado. Para que, quem sabe, um dia, assuma seu pecado e se perdoe; para que evolua seu coração e sua mente. 

Eu te perdoo porque acho arriscado estar nesta vida e não transformar quaisquer resquícios de mágoa ou dor em luz que habita meu peito.

Eu te perdoo. 






16:18:00

Eu nem esquento a cabeça, vou levando numa boa, num embalo lento, quase parando.
Eu não me importo com o suspense, com os suspiros no canto, com o andar vagaroso.
Eu me realizo mesmo é no contrassenso, nos desavessos de uma vida vermelha, regada a cheiros.
Sou uma paradoxo ambulante, talvez; um alguém que quer e ao mesmo tempo não um lar;
que deseja, deixando de desejar em seguida, a vida quieta demais, com ares de morno.
Então, sem responta, me levanto preguiçosa, ando descalça pelo chão frio e abro uma breja.
Vai que alguma resposta aparece no fundo da garrafinha. 



14:10:00

Muito do que precisamos está no compartilhar, em ter com quem contar, com quem jogar conversa fora, rir de quase nada, contar sobre seu dia, mostrar algo que você ama, que alimenta seus sonhos. É por isso que compartilhar é tão belo e, penso, não deve ser um ato leviano, jogado aos ventos. Ao contrário, deve ser feito com ardor, com a intensidade que habita o peito. Escolher a sensibilidade não é fácil... ser intenso não é fácil. Você sabe, sabe bem, que uma hora haverá lágrimas, haverá certo amargor, mas também acredita com a fé de mil crentes que a vida só vale ser vivida se for pra ser sentida, talvez com um quê de enlouquecida. Viver no morno não me interessa. Eu quero compartilhar.

08:07:00

“Como pode duas pessoas que se dizem amigas viverem em pé de guerra?”

“Aí depois a gente joga a pessoa na poça d’água e a gente ainda é ruim.”

O mundo dá voltas e o pequeno saco de caos não muda. 
Da série conversas de loucos. 

17:48:00

E eu pensava que havia me tornado uma cética. Não acreditava mais em tantas palavras; não acreditava mais em amores; não sentia firmeza nas ações do outro.

Estava me tornando aquilo que mais temia... 

14:14:00

Eu me tornei jornalista por alguns poucos motivos. Porém, para mim, cada um deles era forte. 

Para começar, eu gostava de escrever, de tentar imaginar histórias, de lidar com a caneta e uma folha de caderno. Não, não penso que sou uma escritora ou poetisa, nada do tipo. Eu só sempre me senti bem tentando por no papel o que estava na minha mente. Ok, o jornalismo não é, necessariamente, tudo que se pensa ou se sente, quer dizer, ao menos é o que aprendemos na faculdade. Não vou entrar no mérito do que é visto de verdade ou entrar numa questão pseudo-filosófica sobre a profissão. Só estou querendo dizer que o ato de escrever foi o primeiro a me impulsionar.

Em seguida, não menos importante, veio o segundo fator: eu achava que através desse ato de pertencimento ao universo jornalístico eu poderia somar, fazer alguma diferença em algum lugar... ou para alguém. Sinceramente, creio que este era o motivo que mais pulsava naqueles anos.

Por fim, digamos, era o meu gosto por ouvir também. Sempre admirei pessoas que conseguiam parar para ouvir o mundo, as pessoas ao redor e até mesmo o que pequenas coisas tinham a dizer. Sinceramente, na minha opinião, esse é o preceito básico para um bom jornalista: saber ouvir. Não sair questionando a torto e a direito sem algum embasamento ou, pior, sem sequer conseguir ouvir o que o (s) outro (s) tem a dizer é um pecado grave. 

E é disso que eu quero falar nesta página digital. Quero falar sobre o ouvir. Sobre o estar atenta, de frente para alguém, e simplesmente ouvir. 

Além das experiências que a vida mesmo me colocou, como ouvir amigos, ou alguém da família, eu estive em uma bem marcante, quando iniciei meu trabalho de conclusão de curso. Havia escolhido fazer um livro-reportagem contando história de algumas mulheres resilientes. Fui em busca de minhas heroínas e as encontrei. Horas de gravação, mais horas ainda de transcrição e de tentar juntar o quebra-cabeça fantástico que é construir uma grande reportagem. Exige tanto da massa cinzenta, mas também do coração. 

Eu ouvia o máximo; intervinha o mínimo que podia, apenas o necessário. Se era fácil? Não, nem um pouco. Não digo isso por não ser prazeroso, porque, oras, era. Digo porque são histórias de vida tão ricas, tão enredadas e complexas que cada frase merecia mais umas duzentas perguntas. Calar tudo isso e apenas escutar e aguardar o momento e a pergunta "certa" eram meu norte. Foi difícil e nem sei dizer se fiz bem, mas sei de uma coisa: fiz o meu melhor para além de nota ou de uma graduação; fiz por elas. 

As duas senhoras que deram vida ao meu projeto são exemplos de força, resiliência e determinação. Nenhuma deixou a cabeça abaixar mesmo nas dores mais terríveis ou nas experiências mais esdrúxulas. Como eu poderia sair disso a mesma? Impossível! Elas me inspiraram e até hoje me acompanham em pensamento. Eu quero ser forte como elas me mostraram ser possível.

É o que venho tentando ser, da forma como posso, caindo sempre, levantando a maior parte da estrada e sonhando. Há quem diga que sou crítica demais comigo mesma. Talvez seja verdade, talvez eu exija de mim o lado guerreiro que ainda não consigo me dar, mas eu sei que é só o caminho, o percurso, não é o fim dele. 

Foi ouvindo que conquistei alguns bons conselhos; foi ouvindo que consegui superar uns momentos delicados e tristes, além de marcantes; foi ouvindo, mesmo de forma desajeitada, talvez torta, talvez tardia, que me despi de pensamentos equivocados, de amores errados e alcei outro voo. É ouvindo que busco estar próxima dos meus; é dessa forma que tento ajudar, contribuir com meus amigos e com quem amo. Ouvir o outro é um presente, um dos mais caros que podemos oferecer a alguém. Ouvir é uma dádiva. Nem todos alcançam ou nem todos a querem. Ouvir pode ser porta para novos contrastes, sonhos; é ouvindo que talvez uma vida seja salva. 

Eu pretendo continuar tentando ouvir. Mais que isso, ouvir e absorver. Vou continuar tentando ouvir o que a natureza tem a dizer, o que minhas ações gritam sobre mim, o que meus amigos e minha família me dizem; o que as experiências cotidianas estão querendo me dizer. 

É assim que gosto de levar a vida; são pessoas assim que fazem meu coração se manter aconchegante e grato.

Obrigada a quem me ouviu; obrigada a quem continua me ouvindo, demonstrando empatia e carinho. Ouvir é um presente, repito, e esse é o mais especial que vocês me dão. 

P.S.: Que sempre nos lembremos que ouvir é um ato de amor, mas uma grande responsabilidade. 



13:29:00

E, por vezes, não há um sentido, uma explicação aparente e consciente. Só há, no peito, a sensação, o tom de sufocamento, de um grito calado, mas inquieto. Perde-se, então, a lógica, o senso de direção e as vontades.

18:03:00

Poderia dizer tanta coisa, afinal, esta banda esteve comigo lá na minha adolescência, quando tudo parece difícil demais. Poderia falar de como foi ganhar o Hybrid Theory de aniversário; como era sentir pulsando em mim a sonoridade e a voz de Chester. Poderia falar de como meu ensino médio foi regado por essas músicas e uma Bruna mais jovem, despreocupada, cantando com suas amigas pelo Cefetes. 

Não acompanhava mais a banda, praticamente, mas nunca deixei aquele passado, de fato, no passado. Chester foi um desconhecido, claro, mas era como um amigo de ensino médio que a gente não via há muito tempo. Por isso hoje se faz um dia triste para mim também. 

Sinto a perda de um talento, de alguém que fez sim parte da minha vida. Obrigada, cara! Só você sabia o tamanho de sua dor. Só você sabia o quanto custava lutar todo dia fodido. Tudo que desejo é que faça sua travessia com alguma paz!



10:42:00

Existe uma poesia não declamada nos olhos que veem além, que rodeiam a alma, que discutem o indiscutível, que dissecam o que está ali. Existe uma música inaudita nos olhos que vertem esperança, que constroem amor, que suplantam a dor. 

Existe um sentimento que aplaca os mistérios e eleva o que ainda sobrou no receptáculo de luz/sombra que habita cada peito. 

Todos os olhos podem ver, mas enxergar é uma dádiva. Todos os olhos podem se enviesar pelo sentir e jorrar feito uma fonte, mas dificilmente todos os olhos buscarão alento em meio ao próprio redemoinho de queda.

Que meus olhos transbordem; que eles sintam, que não me enganem. Que meus olhos sejam extensão do meu pulsar, do sentir que corre por essas veias falhas e datadas. 

E toca a vida

17:37:00

Quando a gente vai atingindo certas idades, algumas "determinações" parecem que vêm acompanhando essas fases. Para e pensa: quando se é criança, espera-se que você SAIBA se comportar na mesa do jantar, ou quando visitas chegam. 

Quando se atinge a adolescência, por outro lado, esperam que você já comece a delinear qual será seu futuro; o que vai querer ser, fazer, onde vai querer construir isso.

Quando se é mulher e um determinado número vem se somando à idade, bem, digamos que algumas outras pressões vão compor esse quadro maravilhoso chamado realidade. 

Do que estou falando? Ah, acho que não é difícil imaginar. Estou chegando aos 30, neste ano, e mesmo antes disso já perdi as contas de quantas vezes me perguntaram sobre namorado ou sobre quando me casaria, teria filhos. Essas questões vinham independente de eu ter ou não alguém. Essas pessoas podem não saber, o que não acredito, mas esse é o tipo de coisa meio babaca a se fazer. 

Oras! E se eu não quiser casar, ter filhos, ter alguém? Mesmo que queira tudo isso, por que isso deve ser pauta de uma entrevista em churrascos de família ou em outros ambientes? 

Às vezes, esse tipo de comportamento me faz pensar que eles só querem ver aquela mulher ligada a um homem (sim, dessa forma), para que, assim, cumpra seu papel social bonitinho. 

Por que é tão importante "pertencer" a alguém antes mesmo de se pertencer? 

Então isso vai se acumulando. São perguntas; são ofertas de "vamos te apresentar a alguém"; ou até por grupos de amigos comprometidos que numa quantidade infinita relatam suas vidas de casa e problemas domésticos. Ok. Este último não é algo a se culpar. Cada um seguiu sua vida e a construiu. Louvável. O lance é que lá no fundo, por algumas vezes, algumas pessoas vão se sentir deslocadas, fora de um padrão estabelecido lá fora e até mesmo ali dentro, mesmo que sem querer. 

Já viveu isso? Estar num grupo em que todos estão acompanhados e você é a única pessoa sem um apoio emocional? Não vou mentir, isso já me incomodou algumas boas vezes. Mas depois isso vai se tornando uma caricatura, algo a ser encarado com naturalidade e discernimento.

Eu sou daquelas, creia você ou não, que acredita que as coisas têm sua hora para rolar. Eu realmente penso que por aí, qualquer dia desses, vai rolar um esbarrão de minha alma com alguma outra, e aí essa espécie de mágica desastrada, incerta e real vai acontecer. Acredite, não estou sendo romântica. Meus pés estão bem no chão.

Mas, quer saber?! Sem pressa, sem pressão. Se for para sair de qualquer jeito, não, obrigada. Isso já rolou muito. Se for pra vir, para ser, que seja em plenitude e serenidade. 

18:11:00

Quanto mais conheço o ser humano, mais compreendo a depressão. 

14:07:00

Se tivesse sido sincero, desde o começo, teria sido verdadeiro. 

Thank you, pain!

12:57:00

Quanto de sofrimento um coração suporta? Quanto disso uma mente é capaz de aguentar?
Quanto de cada fibra de nosso organismo pode carregar essa sensação sem se romper, sem causar danos irreversíveis?
Quanto de mim, quanto de você está pronto para arcar com as consequências de estar vivo?
Quanto de nós suporta essa parcela de vida, esse quinhão que a nós não pode ser recusado?

Você está pronto, pronta? Você está em paz mesmo assim?
Quanto de dor você tem? Quanto consegue colocar nas palmas das mãos sem deixar escorrer pelas fibras de vida?
Quanto estaria disposto, disposta a carregar sozinho, sozinha em seu pequeno pedaço de orgânica?

Você está pronto? Você está pronta?
Inevitável, como o mar tomando o que é seu. Irrefutável, como a morte.



18:13:00

Eu não conheci Paulo Schroeber em algum show do Almah. Não tive esse prazer. Infelizmente, a vida de Paulo foi interrompida muito cedo.

Aos 40 anos, ele foi vítima de uma doença genética que afetava seu coração. Ele não conseguiu resistir e, em 2014, despediu-se deste mundo deixando um pedido: que não esquecessem dele, das suas músicas, do que fez.

É, Paulo, não te conheci nessa fase em que pertencia à banda, mas, mesmo anos depois, quando de fato comecei a apreciá-la, vejo o que foi você. Vejo a legião de fãs que você tem; pessoas que admiram você e não te esqueceram.  

Acredito que você deixou muito mais do que riffs e uma pegada mais selvagem; você deixou a velha chama da esperança, de que com determinação e coragem a gente pode voar. 

Eu não te conheci e nem entendo de técnicas de guitarra, mas gosto de música. Sinto que você deixou seu coração por aqui. Onde quer que esteja, esperamos que esteja em paz e orgulhoso.





Flua-Entregue-Confie-Aceite

09:43:00

Estou deixando a vida fluir, feito água que passa por mim.
Estou deixando a vida fluir, feito água que passa por mim.
Estou deixando a vida fluir, feito água que passa por mim.

Deixo-a me abraçar, feito o vento que corre e brinca com meus cabelos; permito que me dê força, como uma raiz de árvore que alimenta, sustenta e é parte do ciclo desta vida. 

Estou deixando a vida fluir, feito a água que passa por mim.

Sinto-a forte, pulsante, comandante destes dias. Deixo-a queimar meu peito, guiar meus instintos, como o fogo abrasador. Permito que ela envolva todos aqueles que estão ao meu redor, alimentando-os, refrescando seus dias, dando o fogo de vida e a fluidez da água, aquela que passa por mim. 

Estou deixando a vida fluir, feito água que passa por mim.

Que esta água passe, acalme, afague-nos e afogue medos e dores. Que sua fluidez corra por estes dias de luta e incertezas e seja mansidão, calmaria de vida, esperança do amanhã. 

Estou deixando a vida fluir, feito água que passa por mim.

Que esta água que corre por mim seja oração, intenção de um corpo orgânico que carrega o deus de uma vida. Que ela seja minha prece, ao sol, ou durante a chuva; que seja minha entrega, minha confiança e minha aceitação.

Estou deixando a vida fluir, feito água que passa por mim; feito a terra que me concebe e me alimenta; feito o fogo que mantém minha força... feito o vento, suave e livre. 





19:49:00

Ah, o que dizer de seus lábios, da intensidade deles?
O que dizer sobre suas mãos quentes, sempre próximas e inconsequentes?
Ah, como me perco em pensamentos, passando e repassando todos aqueles momentos de entrega verdadeira; de um querer tão intenso.
Fecho meus olhos, agora, e pareço sentir sua respiração próxima, seu corpo junto ao meu.
Sentir você é, sem dúvida, uma das experiências mais sublimes.

Pena que a vida é uma só.

18:16:00

Quer me ver feliz? Me dê a verdade.
Quer me ver como uma menina? Me abrace forte, transpareça o que é.
Quer me fez feliz? Compartilhe comigo sua história, alguma história.
Quer me ver atenta? Me conte algo que aprendeu, que sabe com propriedade.
Quer o meu respeito? Seja sempre você, com zelo, com respeito, com a vivacidade que esta vida exige.
Quer me ver de verdade? Mostre-me quem, de fato, você é.


12:46:00

Foi uma noite em que todos naquela mesa beberam consideravelmente. Eu fui meio que para isso, beber e me divertir. Fosse como fosse.

Mas, faz parte dessa escolha esquecer, no dia seguinte, de muita coisa que foi dita e vivida. Uma droga! Apesar de algumas coisas que saíram dos trilhos, outras foram realmente muito legais. Ficou mais a sensação do que a certeza, além de algumas palavras, como quando ele virou e soltou algo como:

- Você é uma garota má!

Então eu ri. Acho que nenhum cara me disse isso alguma vez. Não era como me acusar; mais soava como em filmes em que um cara gosta de uma menina e ela é malvada, como em velhas músicas de rock n' roll.

- Queria me lembrar, amanhã, de como você está bonita; de como seu batom azul me faz lembrar o The Cure...

Ah, ele sabia como me desarmar, assim como encher minha cabeça e me fazer meter o pé.

19:41:00





12:37:00

Segurava o impulso de escrever-lhe, mesmo que fosse apenas para fazer a simples pergunta que sempre permeava as conversas: como foi seu dia? 

Então imaginava ele respondendo e trazendo a questão de volta para ela. Se, neste momento, pudesse respondê-la, certamente ela diria: passei em saudade. 


11:43:00


💖


16:38:00

Este coração que vos fala por meio de outras formas conhece a saudade, aquela que invade o peito, entra, por vezes, sorrateiramente e, quando percebo, já faz em mim morada. Às vezes, ela vem suave, manifestando-se em numa lembrança de um beijo dócil, um abraço quentinho, ou um aconchego qualquer. 

Mas o que seria deste coração se não fossem as vivências mais marcantes, aquelas que chegam ferozmente, arremessando tudo para o alto e enlouquecendo meu dia?! Ah, sim, essa já é minha velha amiga, apesar dos pesares. Essa saudade me faz pulsar, me faz desejar certos dias, certos toques e olhares. Essa saudade é aquela que deixa um gosto levemente amargo, que quase parece querer me partir, mas não o faz por medo de não ter mais uma morada. É aquela que causa certa falta de ar, que lança mão de infinitas palavras e suspiros. Ela pode ser cruel. Mas meu coração é forte. Aguenta, resiste, mas gosta. 

A saudade representa mais histórias me construindo; flashes a serem guardados; perfumes, singelezas e nuances a serem revividos. 

10:39:00

Então, um bilhete foi deixado.

"Obrigada por sempre ser atencioso e carinhoso comigo; por sempre oferecer seu ombro e se colocar à disposição. Quem diria, né... eu conheci um cara casca dura, mas com um coração tão bom. Obrigada por compreender meus momentos e respeitar. Mas acho que é melhor agora, e com ótimas chances de continuarmos sendo amigos, do que arriscar e perdermos tudo. Você acrescentou um pouco mais de cor aos meus dias (assim como um tiquinho de caos hahahaha). Te gosto, você sabe disso, mesmo eu tendo segurado isso de muitas formas. Eu estarei sempre aqui procê, meu pequeno pedaço de problema."

07:06:00

Minha apresentação no lançamento O Som das Estrelas Caídas. Uma noite linda e mágica, repleta de literatura, música e dança.

"Eins
Hier kommt die Sonne
Zwei
Hier kommt die Sonne
Drei
Sie ist der hellste Stern von allen
Vier
Hier kommt die Sonne"


Bruna Sperandio - Sonne (Rammstein) from Bruna Sperandio on Vimeo.

08:03:00

Durante algum tempo ainda me questionei por que todas daquelas coisas haviam acontecido comigo. Por que toda doação e entrega se viraram contra mim em forma de traição, mentiras e manipulação? Eu nunca compreendi o tamanho real dessas coisas. 

Um dia, então, percebi que poderia nunca entender, mas estaria tudo bem. Eu não dou conta do outro, da intenção do outro, do coração do outro, dos desejos do outro. Eu só posso buscar o meu equilíbrio e minha melhor forma de agir.

Foi aí que descobri que não fazia mais questão alguma. Não importava mais, mesmo que ainda houvesse alguma mágoa, e apenas isso tinha restado. Eu não faço mais questão de compreender e de reviver o que me deixaram de ruim; a forma como fui tratada, mesmo depois de tantos gestos. 

Finalmente, a ideia da liberdade havia se concretizado em meus dias. 

16:08:00

Estou indo na velha direção, naquele caminho que cheira a passos antigos, já conhecidos e destrinchados pela minha vontade. Eu sei onde vai acabar. Vai acabar. 

16:04:00

Às vezes tenho impressão que me mutilo tentando ir além das minhas possibilidades, da minha capacidade do momento. Penso que eu me ponho naquele lugar, naquele em que testo meu eu, minhas virtudes e meus vícios. Acredito que me forçar, que cortar minha carne e meus desejos é uma forma de me elevar, de alcançar alguma salvação. Mas o que somos senão almas errantes e perdidas demais? Não há consolo em parte alguma. 

07:33:00

"Pra tristeza, meu abraço;
Pra sua alegria, minha companhia;
Pra sua tpm, minha Netflix;
Pro seu cansaço, meu colo;
Pro seu tesão, meu todo;
Pra sua embriaguez, a minha pontinha de responsabilidade;
Pra suas lágrimas, meu ombro;
Agora, pra sua recusa, meus pêsames."

13:57:00

E eis que acontece uma das coisas mais temidas no mundo para um fã... a banda resolve encerrar suas atividades. Após 26 anos de metal e amor, HIM chega ao seu fim. Essa banda leva um pedacinho do meu coração, mas, ainda assim, sou grata pelas letras, pela poesia, pela voz de Ville, que é um pedaço do céu, entre tantas coisas tão boas que ela me trouxe (até mesmo os covers. Como esquecer Solitary Man e Wicked Game nessa voz surreal finlandesa?).

"We are young and lost and so afraid
There´s no cure for the pain
No shelter from the rain
All our prayers seem to fail..."


13:04:00

Da série "old, but gold".


Sabe o que é um amor teimoso? Não é difícil imaginar, acredito, afinal, tem-se noção do que cada sentimento desse representa. O amor teimoso é aquele que luta, que não cede a qualquer pressão e que não se contenta com respostas pelas metades.
O amor teimoso é aquele que vê as diferenças, mas busca sempre harmonizá-las, mantê-las como complemento de algo maior. O amor que teima é aquele que nunca perde a perseverança, que trabalha com esperança e mantém a chama.
O amor teimoso é aquela que faz um carinho mesmo quando a vontade do outro é de estar quieto; que mantém a proximidade mesmo quando as cabeças estão prestes a explodir. O amor é guerreiro, apesar de sua leveza aparente. Ser teimoso é uma escolha de cada um. Escolher se deixar levar pelo amor e, mais ainda, pelo amor teimoso, é estar ciente de que lutar não é mais opção. É um estado de espírito constante.

04:09:00

E como num passe de mágica, já que minha memória, por vezes, me sacaneia, eu lembrei de quando ele disse que se estivesse feliz cantarolaria enquanto pilotava. Veio como estalo enquanto eu lutava para não ser levada pelo vento. Eu apenas sorri ao rememorar esse pequeno hábito, mesmo anos depois. 

05:27:00

"Não se sinta só, o Universo inteiro está dentro de ti." (Rumi)

Imagem: Federica Bordoni


14:11:00

Estava pensando sobre o que cada pessoa ao nosso redor desperta. 

A gente pode conhecer pessoas que se parecem muito de várias formas. No entanto, eu acredito nisso: cada um é único. Mesmo se alguém no mundo tivesse uma forma “igual”, bem, ainda sim seria muito diferente. Cada cérebro e cada peito passaram por experiências únicas. Então, como poderia uma pessoa poderia substituir outra?

Tenho pessoas por aqui que me despertam tantas e tantas coisas. Cada uma delas é tão absoluta e especial em sua forma de andar, de falar, de tocar, de agir, de ser. Por isso são tão únicas (fora o laço que elas têm junto a mim). 

Tenho quem me acorde para dançar, para por meu corpo e minha alma num movimento febril e sagrado. Há outras que sempre despertam o riso de mim, de forma até insana. Elas também me levam a instantes de muita diversão e irmandade.

Há quem me desperte um desejo profundo, nunca antes sentido. 

Há quem me deixa tocar o amor de forma tão aconchegante e calma, algo surreal para ser explicado. Também tenho por perto quem me defenderá até meu último dia na terra, assim como aqueles que dialogam longamente comigo, me ensinando sobre as mais diversas coisas, sendo pacientes e almas bondosas e empáticas.

Existem também aqueles poucos que me abraçam em silêncio, que sabem o que cada nota do meu silêncio significa, o que tem a dizer. Essas pessoas simplesmente me olham, percebem meu olhar e estão comigo, independente de tudo. 

É claro que no meio disso não faltam aqueles que acrescentam filosofias mil, psicologias e, claro, tensão. O que seria da vida e dos laços sem isso, não é mesmo?!

Ah, sim, como seria a vida, também, sem a paixão? Sem dúvida, há quem me proporcione esse sentimento avassalador, que consome dias e horas da minha noite.

Todas essas pessoas, perto ou longe, todas complementam meus dias, estimulam minhas horas, me possibilitam enxergar cada vez melhor o que é estar viva. 

Todas essas cores sutis se entrelaçam às minhas e me ajudam a construir um quadro sensível, bonito e repleto de sentimentos. Cada uma delas, sem exceção, significa, é especial; elas simplesmente e tão lindamente são.

A próxima vez, então, que se sentir só ou desamparado, pense nas pessoas, nessas almas que estão ao seu redor; relembre o que cada uma delas representa, o que elas trazem, quais são suas palavras, seus ensinamentos. Tudo isso não tem preço. É a vida se mostrando por meio dos laços. Aproveite cada um deles.

07:21:00


Meados de 2011. A gente ingressou num pequeno grupo que tinha um sonho (como todos os demais): tentar fazer algo para mudar a realidade lixo a qual estávamos submetidos. Fizemos pequenas manifestações, dando nosso melhor, cada um a seu modo. 

Infelizmente, não durou tempo suficiente. Talvez tenhamos passado para alguns como algum tipo de grupo que pretendia perturbar, apenas, como geralmente manifestantes são vistos. Contudo, para nós, bem, a visão era completamente diferente. A gente queria gritar sim, provocar sim. A gente queria clamar, pegar de volta o que era nosso, trazer mais gente. A gente queria fazer algo, queria mostrar à sociedade que é possível se a maior parte se unir. 

Hoje, uns cinco anos depois, vejo meu país aparentemente cada vez mais afundado, empobrecido, repleto de pessoas cada vez mais sem nada, sem direitos, sem esperança, sem vida. Estamos sobrevindo a esses dias. 

Nestes anos, vimos um gigante acordar, dormir, remexer, tentar fazer algo, mas, agora, a impressão que tenho é que nada mais adianta. O sistema está nos engolindo. A violência está comendo tudo por onde passa. Estamos completamente isolados, dentro de nossas casas, impotentes. Muitos sentem raiva, querendo fazer justiça com as próprias mãos, ter porte de arma ou algo do tipo. 

Eu só quero sentir de novo, algum dia, alguma esperança pelo meu país, pelo meu estado. Eu só quero acordar num amanhã melhor, em que o zumbido de sirenes não seja tão comum, em que professores sejam respeitados, em que alunos tenham uma educação de qualidade e que os faça pensar, que os tornem protagonistas e ativos; um Brasil em que estudante também tem voz e não seja visto como baderneiro e desocupado.

Ainda tenho um que de sonhos, confesso, mas parece que a cada dia se esvai um pouco. É um cansaço latente, que nos faz acomodar em meio ao caos e dor. Introduziram o caos.

"Introduza um pouco de anarquia. Perturbe a ordem vigente e então tudo se torna um caos. Eu sou um agente do caos. E sabe, a chave do caos é o medo!" (Coringa). 

Eu quero sonhar com dias de paz, dias em que nosso canto será a arma que teremos para fazer a mudança acontecer. Mas, até lá, o que farei?


13:15:00

Eu olhava pela janela e via o verde em um movimento suave, hipnotizante e em compassos de um balé tão natural. Então eu sabia, meu destino só eu poderia fazê-lo. Talvez ele esteja lá, bem, bem ao norte dos meus sonhos, naquelas terras cinzas, salpicadas de cores noturnas. 

Como ele fez, também ousei, fechei meus olhos e desafiei os deuses, impondo minha vaga condição: eu seria o que eu quisesse fazer; fugiria do controle das cordas invisíveis laçadas a cada humano na terra. 

Eu vagaria por aquelas florestas e bosques, restabelecendo minha raiz, meu fio condutor que me liga a estes momentos todos, completos e misteriosos.

Eu veria, ao longe, sua mão, suave e firme, que protegeria minha caminhada na noite da grande descoberta. 

Eu alçaria o voo daqueles que ousaram ir além dos devaneios e desejos. Eu transcenderia.  


06:45:00

Sabe amor à primeira vista? Temos à primeira ouvida também.
Este tem sido o amor da minha vida. 



06:16:00

E como a chuva que cai, que alimenta o orvalho, que dá de beber à terra, que saúda nossa vida e os dias de luta, o sol faz morada no mesmo céu, secando as dores, fortalecendo o verde que habita por perto, irradiando mais sorrisos, sonhos, energias que rodopiam nesses dias de chuva-sol incansavelmente bonitos e promissores. A todos esses dias, eu saúdo, eu brindo, eu rodopio com pés descalços. Serenamente me entrego e confio. 


16:58:00

A música e o seu poder de explodir, colidir, emocionar, levar a outra dimensão. A música e o seu poder de causar espanto, gerar amor, ressignificar. 



12:05:00

Semana começando assim, suave e no bom gosto haha!



18:04:00

Lute como uma mulher!


13:10:00

Eu conhecia aqueles olhos. Eles tinham aqueles tons convergentes. Eles eram um mundo que envolviam, por hora, um tom marrom, em outro instante, um universo de um verde profundo, digno de confiança e encanto. 

O olhar atravessava meu físico. Parecia estar em busca do algo a mais em mim. Eles realmente enxergavam. Eles eram capazes de ouvir, de indagar, de assentir, de sorrir. Eles são tão vivos; são como expressivas pedras preciosas num mundo sujo. Eles são eternos.

Minha dança

12:48:00

Sempre fico muito feliz quando também consigo me expressar através da minha dança, por meio do meu corpo, de minhas feições e tudo que cerca essa arte que celebra meus dias. Então, quero compartilhar um pouco dessa minha singela arte com você. 

Um vídeo simples, em um espaço pequeno, disposição vertical (eu sei, eu sei). Mas, tudo isso vira bobagem quando a alma da gente está entregue. Um abraço e fique bem!


Wicked Game

05:54:00

Esta música e esta voz não saem da minha cabeça.



06:22:00

O que eu quero, agora? Isso me agonia. É como uma mágoa fazendo morada no coração.

Não quero as várias conversas vazias, ocas de sentimentos e regadas a desejos primitivos, mas também não anseio por profundidade que possa me levar a outro lugar. 

Não quero noites de esquecimento, de sensação de vazio,  mas também não posso dar conta, agora, de alguém me preenchendo. 

Acho que cheguei a um em cima do muro totalmente desconfortável. Só consigo pensar em esquecer de mim mesma por alguns instantes, dando pausa a tudo que me inquieta e me afligi. Vai dar certo? 


Em Noites Brancas

16:49:00

Nunca expus o que me levou a por o nome deste blog de Em Noites Brancas. Sinceramente, acho que isso talvez não importe para você. Mas, ainda assim, não por mim, ou pelo espaço, mas pelo o que realmente significa, eu deixo aqui a resposta: um belíssimo livro, o Noites Brancas.

Eu o encontrei há muitos anos, em uma fase conturbada para mim. Estava emocionalmente instável, fruto de um rompimento de uma relação completamente instável e, ouso dizer, psicologicamente instável (quanto "instável" aqui). 

O li rapidamente e, por algum motivo, me sentia conectada àquela história e desejava saber seu desfecho. Bem, qual não foi a minha surpresa ao conhecê-lo. Como um lindo romance talvez deva ser, o fim dele foi, ao menos para mim, triste e um tanto desolador. 

Contudo, a parte final da história me tocou profundamente, de forma que até hoje não sei explicar. Talvez tenha sido o momento, a minha sensibilidade e a sensação da ficha caindo. Apesar de, eu desejava a ele que fosse feliz, fosse como fosse. Foi aí que compreendi que estava crescendo, me libertando de algo, pois era necessário, e começando a trilhar um outro momento de minha vida. Ok, há quem ache completamente piegas isso, ou chato. Mas o que posso dizer senão a verdade?

Naquele momento, quando li aquelas linhas, eu toquei o amor, eu o senti e aquilo foi suficiente para eu chorar e sorrir ao mesmo tempo. Desde então, principalmente, trago essa concepção dentro de mim. Podemos sofrer, não compreender os caminhos que a vida nos faz passar, o que nossas escolhas nos causam, mas, independente disso, eu desejo trilhar o caminho do amor, aquele em que se perdoa, que se despede das coisas ruins com o sorriso de quem muito aprendeu. 

Enfim. Para quem se interessar, fica aí parte dessa história maravilhosa que amo. Um abraço.




16:15:00

"A mais premente condição de um ser humano era tornar-se um ser humano."

E o que é ser um ser humano? Ser um humano é ser em demasia? É ser e não saber? É conhecer, mas ainda assim perceber que a vastidão e o infinito não são tangíveis?

Ser um ser humano é cobiçar a todo instante? É comprar guerras, matar e aniquilar?

Um ser humano é aquele regido por doses de amor, ódio e razão? Como nos tornamos aquilo que tanto pensamos não saber? O que somos se estamos na busca de ser, então?

Existimos mesmo não sabendo ser? O que é real? O que é natural? O que, de fato, somos? Um sopro de vida, poeira cósmica, energia, alma, espírito, consciência e inteligência limitadas?

Estamos realmente aqui?

Internal landscapes

06:27:00

Ei, você! Eu me lembro de você, de suas palavras sempre doces, apaziguantes, que nunca se foram de meu coração. Ei, você, que um dia se perdeu em sua escuridão, em seu lamento, valsando pelos dias sem fim. Ei, você, que a mim dedicou tantas folhas, sentimentos e palavras inatingíveis. Ei, você, que saboreou vinho barato ao meu lado, que sorriu gentilmente para mim, que segurou minha mão quando me senti perdida. 

Ei, você, que me aceitou em minha inquietação e me acolheu em abraços tão quentes em dias de um verão repleto de dor. Ei, você, que cantarolou comigo nossas pequenas canções perdidas no espaço. 

Ei, você.. ei... ei, obrigada! Obrigada pelas canções, pelos poemas, pela amizade que eu ainda guardo com muito carinho dentro de mim. 

Não sei onde está, quem é você, agora, mas saiba, eu lhe desejo o infinito dourado com asas de anjos. 
Ei, você, apareça um dia, quem sabe... ao menos para nos dizer: I could say that I was peace, I was love, I was the brightness, it was part of me.

Fique bem, esteja onde estiver. 


Respiro

17:27:00

Eu andei por horas, pensei por tempo que parecia nunca mais ter fim. 

Repassei falas de muitos momentos, sentidos, gestos que não passaram despercebidos. Eu vaguei pelas nuances do meu coração já calejado e solitário, assim como pelo cinza dos meus pensamentos truncados e cheios de desmazelo. 

Eu só sabia me perguntar, questionar por coisas que pareciam nunca mais vir até mim. O que eu havia feito para merecer tanto esquecimento? Quem eu era nesta vida parca e líquida? Quem haveria de lembrar de meu nome, de algo que fiz?

Ai de mim que ando me esquecendo de horas, flutuando em nostalgias de dias não vividos e de sonhos interrompidos antes mesmo de se tornarem assim.

Ai de mim que sacrifiquei, cantei, enlouqueci e peitei dias. Ai de mim.... por mim, creio que quase ninguém faria.

Quem, por mim, amaria? Quem, em meu nome, renunciaria algo que tanto acalenta? Quem, em minha honra, ofereceria paz de sinceridades e verdades mil? Quem faria algo por mim? Quem, meu Deus, quem?

Ainda sim, me deito, todas as noites, esperançosa de céus azuis, de brigadeiro. Ainda, até mesmo neste instante, desejo, pois ainda creio na vida, em seu sentido enigmático e em sua força desmedida. 

Há em algum lugar e em algum dia alguém que olhará com verdadeira ternura para meus olhos, que cantará sua serenata de amor puro e que me mostrará aquilo que fiz questão de esquecer.

Eu ainda tenho fé. Eu ainda respiro.


91

09:41:00

"O que aprendemos com a amarga experiência é que essa situação de ter sido abandonado à própria sorte, sem ter com quem contar quando necessário, quem nos console e nos dê a mão, é terrível e assustadora. Mas nunca se está mais só e abandonado do que quando se luta para ter a certeza de que agora existe de fato alguém com quem se pode contar, amanhã e depois, para fazer tudo isso se - quando - a roda da fortuna começar a girar em outra direção."
Zygmunt Bauman

Clariceando

16:31:00

"Lóri ligou o número de telefone:

- Não poderei ir, Ulisses, não estou bem.

Houve um pausa. Ele afinal perguntou:

- É fisicamente que você não está bem?

Ela respondeu que não tinha nada físico. Então ele disse:

- Lóri, disse Ulisses, e de repente pareceu grave embora falasse tranquilo, Lóri: uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora da minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso."