Janela

12:02:00

Quando a vontade de explodir for tão grande que parece faltar seu ar, olhe pela janela. A minha me traz claridade, calor e topo de árvores e edifícios. 

Lua

16:40:00

Lua é o amor em forma de versos. Um dia, recebi esse amor assim, de forma tão pura, simples e cativante. Eu sempre, sempre serei grata por ter recebido isso da vida. 


"Ela veio até mim, e
E suas palavras me trouxeram um pedido.
Você me pediu a Lua
Mas como posso dá-la se ela já é sua?
Ou seria você a Lua?
Que traz luz e calmaria a minha noite nua?
Dar-lhe a Lua, por um momento
Seria tirar você do meu longo pensamento.
Seria deixar de olhar.
Seria só o deitar em minha cama fria
E pensar que não sou de sua vida.

Com outros olhos
Dar-lhe a Lua seria dar-me aos seus.
Seria causar-lhe o que sinto
E viver em você.
No mais longo e desconhecido
Dar-lhe a Lua seria dar-me a você,
O meu eu, o meu eu.
Diferentes em mim, mas que têm vivido em sentimento inominável.
Vivido em um amor;
Tão louco, tão certo, tão igual a Lua.
A você, a mim
A forte imensidão do brilho da noite.
Na escuridão do dia.
E dos dias em que não há Lua
Vem tristeza
Pois perco de mim a doce voz
Doce som que ela, Lua, você, traz em mim.
Querendo e não querendo vê-la, para não ter que a deixa ir.

Então dar-lhe a Lua é dar-me a você
Dar-lhe a Lua é tirar você de mim.
Dar-lhe a Lua é viver em você.
Dar-lhe a Lua é a confusão e a certeza que um sonhador irreal tem
Ao ver o brilho de sua vida
Soar mais alto a cada dia, a cada momento.
Com você, ou somente no seu pensar, no sentir você, no querer ter você.
Quem sabe, o melhor é
Dar-lhe a Lua
Ter você e ainda não ter.
E nesse tempo tomar conta dela, Lua, você.
E nesse tempo tomar o seu conhecer.
Até que no dia de perfeição do tolo.
Eu possa tomá-la a mim
E junto tragar a Lua à você.
E enfim tê-la em minha vida e
Poder chamá-la de minha, a Lua e você, você minha Lua."

Templo

13:04:00

“Quando você toca alguém, nunca toque só um corpo. Não esqueça que você toca uma pessoa e que neste corpo está toda a memória de sua existência. Assim, quando você toca um corpo, lembre-se de que você toca um Templo.”  

Quantas vezes nos esquecemos de que quando tocamos o outro, na verdade, tocamos outro universo, outro todo em si mesmo, outro templo?

Eu não sou apenas a orgânica, o que você vê e pode tocar. Eu sou muito mais. Eu sou meus pensamentos, minhas ideologias, meus sonhos, desejos, o que sinto, minha energia. Se tenho essa consciência, então, ao tocar outro corpo, tenho respeito, compaixão, empatia.

Quando outro universo encontra o meu, eu preciso sentir assim. Eu não quero e não devo violar o santuário de alguém. Eu preciso ser amor. 

Se meu santuário foi violado, eu não quero e não devo procurar fazer o mesmo. Pelo contrário, eu quero e preciso reconstituir meu equilíbrio, transpirar o que de negativo ainda mora no meu coração, seja a tristeza, a mágoa, a raiva e qualquer coisa assim. Só assim encontrarei a paz e o silêncio de meu templo. Só assim poderei voltar ao eixo e desejar e ser o bem.

Que o meu e o seu templo sejam amados, respeitados e aceitos em toda sua plenitude. O deus em mim saúda o deus que há em você.


O retorno do bem

06:05:00

A mãe levou seu filho a Mahatma Gandhi e implorou: “Por favor, Mahatma, peça ao meu filho para não comer muito açúcar, pois faz mal à saúde”. Gandhi, depois de uma pausa, pediu: “Traga seu filho daqui há duas semanas”.

Duas semanas depois, ela voltou com o filho. Gandhi olhou bem fundo nos olhos do garoto e disse:
“Não coma muito açúcar, pois faz mal à saúde”. Agradecida, mas perplexa, a mulher perguntou: “Por que me pediu duas semanas? Podia ter dito a mesma coisa antes!”. Gandhi respondeu: “Há duas semanas, eu estava comendo açúcar. Não posso exigir dos outros aquilo que não pratico”.

Quando ouvi essa historinha pela primeira vez, fiquei encantada. Quem realmente me conhece, sabe que busco evoluir como ser humano. É claro que nesse caminho tem pedra pra caramba, muitas lições, lágrimas, feridas e, com certeza, muitos erros.

Então, quando vi esse exemplo, há poucas semanas, pensei na fala final de Gandhi. Eu não posso exigir do outro o que eu mesma não planto, o que não cultivo dentro de mim. Parece óbvio, né, mas nem tanto. 

Eu tenho uma coleção de vivências em que desejei leveza, mas acabei sendo pesada. Experiências em que eu falava em paz, mas, no impulso, plantava batalha; queria luz, porém semeava escuridão. Essa é a parte dos erros. O momento que você se vê contraditório, ambíguo, como qualquer ser humano.

Desejar por si só não vai mudar algo. É preciso esforço. Querer algo implica em coerência. Se eu não dou aquilo que quero receber, como posso esperar que o outro me dê? O que é isso? Hipocrisia. 

Eu não posso exigir que meus amigos me sejam leais se eu mesma não consigo ser leal a alguém; não posso colocar a um namorado a questão da fidelidade como um dos valores do relacionamento se eu mesma não sei ser fiel; não posso exigir verdades se eu mesma vivo na mentira. Esses são apenas alguns exemplos que se encaixam na historinha. 

Por isso, a revolução começa dentro da gente. Quando cada um põe para si o que quer, a gente sai do campo das ideias e do desejo e vai à luta. Se eu quero amor, luz, verdades, positividade, eu vou cultivar em mim mesma todas essas coisas. É claro que vou continuar fraquejando em muitas situações; talvez até cause algumas feridas no meu coração ou no de outra pessoa, mas ninguém nunca disse que buscar o melhor é simples. Mas, o mais importante para mim é, eu estou tentando.

Então, se você está lendo este post, receba um pouco do meu carinho, do amor que trago comigo. Seja uma pessoa melhor. Muita luz para você.

Perigo azul

17:52:00

- Por que você não esquece esse cara e volta a ficar comigo? - Ele me perguntou na maior cara de pau (bem, ao menos eu achei).

- Para! A gente tá ficando sem compromisso, mas, sei lá, acho que pode dar em alguma coisa.

Eu dizia aquilo, mas eu já não tinha muita certeza de nada. Aqueles olhos azuis me tiravam, naquele instante, do meu rumo. Era impossível não se perder naquelas cores, afinal, isso já havia acontecido.

A gente estava numa mesa de um barzinho meio metido a besta, não muito próximos. Era um reencontro, após muitos meses. Ele do nada caiu na minha vida de novo, após mandar uma mensagem, dizendo que achava ter me visto numa festa. Eu ri. Acho que conhecia aquela estratégia para puxar assunto, como quem não quer nada. O que confirmou meu pensamento foi o "saudade"escrito por fim.

Nem me recordo direito por qual motivo a gente tinha deixado de se ver. Deve ter sido alguma discussão, algo assim. Foi um caso que durou apenas dois encontros, eu acho. E hoje, quando relembro, acho meio bizarro como duas pessoas se encontram na vida e já tretam em tão pouco tempo. 

Mas, de volta ao acaso causado por ele, lá estávamos nós, de novo, sentados, um de frente para o outro, e ele me encarando com aquele sorriso de canto de boca e aqueles olhos que me desconcertavam.

- Ah, Bruna, eu duvido um pouco disso. Se ele tá até agora com você e não falou nada, não acho que vai dar em algo. Fica comigo, porque comigo é certo.

Eu achava aquela tentativa de me "roubar" de um cara engraçada. Parecia bem coisa de homem seguro de si (ou do rolo que tivemos muito antes). Eu soltei um risinho misterioso e resolvi mudar de assunto.

- Vou viajar, semana que vem. Dar uma turistada.

- Viaja não. Fica comigo!

-  Você não desiste, né?!

- Não vai, por favor! Fica! E fica comigo! 

Ele apenas articulou os lábios naquele sorriso largo e encantador. Eu estava perdida. 

Passamos boa parte da tarde e da noite assim, flertando, conversando e bebendo uma boa cerveja gelada. Quando dei por mim, ele já estava sentado ao meu lado, próximo, bem próximo. 

Então aconteceu o que era, para mim, impossível não acontecer. Nos beijamos com muita vontade. Parecia um casal que não se via há muito tempo e que deseja muito tirar a saudade do peito. Não era bem esse o caso, mas fica a visão. 

Assim que o beijo acabou, ele olhou para mim, bem de perto e, novamente, sorriu. Então se levantou e foi até o banheiro. Eu só conseguia pensar que estava ferrada. O perigo tinha nome, sobrenome, endereço e cor. Era azul como o mar.

Divagando sobre o amor

07:30:00

Quem já não quase queimou o peito (ou o cérebro) pensando no que é o amor?! São várias as (in)definições sobre isso. Nem todos falam com muita certeza, propriedade, e eu penso que essas pessoas fazem bem. Acho que na natureza humana não é tudo que podemos colocar como absoluto. Mas, se me permitem, gostaria de arriscar um pouco e colocar as minhas certezas, ao menos.

Amar para mim é entrega. É quando você não poupa esforços, nome, ou qualquer outra coisa, só para ajudar, dividir, contribuir, ver feliz. Não é perder; é somar.

É, para mim, querer passar anos de sua vida ouvindo as mesmas histórias, ou novos casos da vida cotidiana, e perceber o quanto aquelas histórias também fazem parte de você.

Amar é desejar o bem acima de toda e qualquer coisa. Quem ama pode se exceder, mas, no fim, sempre quererá a luz para o outro que fica.

É ser verdade ao máximo, e menos, quase nunca, omissão ou mentira. Amor regado a ilusões e engano não é amor, não é sequer querer bem. É egoísmo. É imaturidade. 

Amor não é só uma palavra dita com facilidade. É a alma se revelando, cantando aos quatro cantos do mundo que está em paz com o outro, que se sente ainda mais plena.

Amor nunca será olhar nos olhos do outro e manipular. Se existe isso no meio de duas pessoas, suspeito que não haja amor. 

Amor nunca será apunhalar. Amor nunca poderia ser algo tão baixo e sujo. Amor seria olhar para o outro e se revelar, se mostrar sem rodeios e tantos medos.

Amor não é apenas a junção dos corpos excitados. Amor transcende. Ele é desejo e tesão, mas é muito mais a beleza dos toques, da sensação, as mensagens que as peles exalam, o gosto que fica de um gesto tão profundo e intenso.

Eu sei que amei. Tenho convicção que já senti o que percebo como amor. Se fui amada? Bem, quem sou eu para dizer. Só o outro pode saber. Acho que em cada peito funciona uma verdade. Ainda assim, me arrisco de novo e dou a minha resposta: não, não fui. 

Mas não pensem que isso me abala tanto. Eu não acredito que as coisas acontecem em vão. Acredito que todas aparecem para nos dar algo, ensinar. Eu também sei que um dia eu serei amada, com tamanha intensidade e verdade, que essa será minha felicidade.

Enquanto esse dia não chega, eu vou tecendo minha realidade, vou desmanchando laços que trouxeram dor e enganos. Vou caminhando com muito amor à minha volta, como tem sido. Vou sonhando com novos dias, novos olhares, toques. Vou sonhando com esse tal de amor.

Sentidos

13:49:00

As pessoas mentem olhando fundo nos olhos de alguém; enganam pensando que estão salvando a si mesmas. Os indivíduos são capazes de ocultar, de montar uma realidade paralela, desconsiderando o que há por trás das relações humanas. As pessoas se esquecem dos rastros que deixam, dos sentidos do outro, que a tudo pode ver. As pessoas se enganam. As pessoas se naturalizam nesse lado do ser humano. Elas querem redenção. Somos fracos e completamente patéticos. As pessoas mentem, mas as máscaras caem. 

Doce/amargo vinho

17:56:00

Levantei do sofá após beber uns três ou quatro copos, isso mesmo, copo (e tosco), de um vinho nem seco e nem suave. Estava sentindo meu corpo pesado, mas não aquele peso de quem quer hibernar, como quando se está bêbado. Sentia um torpor em todos os meus membros e uma paz dentro da minha mente que há dias não sentia.

Ficava meio perdida nos pensamentos, que insistiam em ser mais lerdos. Faz parte do show de querer encontrar no álcool um minuto de sossego. Eu merecia. Mais cedo, após um dia extremamente triste e estressante, sentia minha musculatura enrijecida e dolorida, o que me matava durante a hora do trabalho. 

Nesses dias ruins, tomar uma cerveja ou um pouco de vinho costumava ajudar. Eu saía um pouco do ar, do meu ímpeto de ter tudo que era meu sob controle. E era assim que eu estava. Me sentindo flutuar pela casa, sem preocupações, sem mágoas, tristeza ou qualquer sentimento que me deixasse para baixo.

Foi aí que me lembrei de muita coisa e tive receio. Meu receio vinha lá do fundo de mim. Eu tinha medo de que não conseguisse mais sorrir da mesma maneira para quem estava próximo; tinha receio de não conseguir abrir meu peito do jeito que gostava, escancarando tudo. Tive medo de não conseguir mais me aproximar da forma como sempre busquei cultivar. A vida às vezes pode nos maltratar. A vida não, convenhamos. Nós mesmos.

Somos simplesmente aquilo o que escolhemos e o caminho pelo qual decidimos andar.

Sentei em frente ao notebook e senti vontade de ouvir uma música. Coloquei qualquer coisa que estava em alguma pasta perdida por aí e respirei fundo. Será que essa sensação acabaria, iria embora? Definitivamente, eu não estou nesta vida para ser coadjuvante. Eu estou aqui para ser, para me descobrir mais e crescer.

Então, num gesto brusco, pausei a música, senti ela ainda pulsando nas minhas veias e decidi que dali em diante não deixaria mais um receio me paralisar. Basta de receios. Viva a vida e o vinho!




Wake up!

06:00:00

Há momentos da vida em que paramos e nos questionamos: o que estamos fazendo com os dias que nos foram dados?

Tempos atrás, uma pessoa falou algo, no meio da sua apresentação, que me fez ficar mais atenta: Quando a gente não sabe para que existe, a vida dá sono. Foi algo assim, na verdade. Eu guardei essas palavras e até agora estou ruminando isso. 

Os dias são corridos demais, exigentes demais para todos nós. Fazemos cada vez mais, em menor tempo, com menos recursos. São as obrigatoriedades dos dias. Mas, e aí, a vida se resumirá a isso, apenas? Triste, se for o caso. Mas tem sido assim para muita gente, uma sucessão de horas monótonas, mecânicas e/ou estressantes, desvairadas. 

Isso, definitivamente, não é viver; é sobreviver. Contar a hora do fim de semana, de um feriado ou das férias é a prova absoluta disso. A vida se tornou, para quem permitiu, uma perfeita engrenagem de uma chatice sem fim. Nos trancamos em casa ou em carros para evitarmos contato, pois temos medo demais. Saímos sempre à espreita, com receio de um assalto no ponto de ônibus, como o que ouvi esses dias. 

Estamos amordaçados pelo sistema e pela falta de sonhos. Quer dizer, sonhos existem, aos montes, mas eles estão amarrados a um querer que é subjugado por diversos outros motivos ou pretextos.

Ruminamos esses dias e pensamos quando a sorte virará. É preciso sair um pouco da matrix, observar o mundo lá fora, olhar para dentro e caminhar, mesmo que devagar e pesarosamente. Está chegando o dia de nos levantarmos e de sermos mais.




Fora do ar

11:54:00

Sucessão de dias iguais, monótonos, cheirando a mecânico, preenchidos por dissabores, com pitadas de desânimo e descrença, que foram regados na terra cinza, beirando à infertilidade e desespero, sabendo que tudo há de ser fim e de voltar ao pó, como os corpos que bailam descompromissados pela louca-vida-louca, sem data para voltar, sem dias para se preocupar, sem músicas para embalar, embebidos e embriagados de um amor de aparências. São apenas mais desperdícios de palavras, de ideias desconexas, insossas, ao mesmo tempo sendo repletas de sal e tonalidades sem vida, de vida, de sentimentos mal compreendidos.

Julho de 2014