Sobre a dor de ser mulher

06:19:00

Hoje, soube que mais uma se foi de modo grotesco e horripilante. O motivo? Ela tinha uma conta no Facebook. O companheiro tem o perfil que já se tornou velho conhecido de todos: violento, possessivo e ciumento (inseguro). 

Não quis ler a matéria. O título me bastava. Todos eles já bastam, na verdade. Todos eles já dizem, por si só, o absurdo que é ser mulher no mundo. É difícil pra cacete! E não, não venha me dizer que isso é querer valorizar apenas um lado. Essa é a verdade nua e crua, estampada TODOS OS DIAS em algum jornaleco, em algum noticiário do meio-dia sensacionalista, em algum site... 

É preciso falar disso todos os dias. É preciso valorizar a luta daquelas e daqueles que dedicam parte de sua vida a recuperar outras, a evitar outros fins como esse. É preciso enxergar o que muito já tem se falado: nada, absolutamente nada justifica e dá o direito a alguém de tirar uma vida; de expor ao ridículo, e por aí vai uma extensa lista absurda que só faz crescer.

São exposições de fotos e vídeos. São estupros justificados com os já famosos argumentos: “tudo puta!”, “se usa roupa curta é porque está querendo!”, “pega geral!”. 

Viramos objetos. Viramos uma escória que tem que se calar, sempre, mesmo dentro de um coletivo, ou de um supermercado. Viramos algo que precisa ser violentado, forçado, desvalorizado... algo que precisa ser morto!

Eu não preciso ler todas as matérias para entender qual foi o motivo, pois eu sei qual foi o mecanismo que impulsionou. O que eu queria saber (não só eu, evidentemente), se fosse possível, é quando isso acabará; quando haverá mais amor e paz entre os gêneros; quando a mulher deixará de ser uma posse e passará a ser vista como um SER HUMANO livre e dotado de capacidade...

Meu texto pode ser apenas mais um. Minha voz pode ser apenas mais uma em meio a tantas que já gritam e já gritaram. Não importa. Importa que agora minha voz e meu texto somam algo. 

Não preciso ler mais uma notícia...

Dedico humildemente o meu “pouco” a todas que já se foram; a todos que ainda estão aqui, mesmo após; e àqueles que lutam de algum modo.



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