Relax

13:03:00

Se as mãos se tornarem gélidas, inspire e expire!

Uma série de pontos

07:42:00

Acordou. Estava no chão, no colchonete que não feria sua coluna. Pegou o celular e viu algumas atualizações. Preguiça. Até de respirar. Levantou-se e tentou se alongar. Foi meio em vão. Saiu do quarto bagunçado e foi comer algo. Para variar, pouca coisa. Nescau e um pequeno pão redondo. Banheiro. Banhou-se. Maquiou-se. Vestiu-se. Novamente em seu quarto. Organizou tudo que precisava. Entorpecida. Deu tchau pra mãe e saiu. 

No ponto. Sequer se recorda bem do tempo que esteve lá. Não lembra dos rostos e nem de carros. Veio a sequência correta de números. Subiu. Lotado. Puta merda, sempre a mesma merda. Praguejou. Depois respirou fundo e voltou ao torpor. Veio pensando em tudo. Mas em nada. Não se recorda. Não há fio da meada. 

Desceu grogue. Quase tropeçou na moça que sentou nos degraus. Cara, cadê o senso. Estava irritada. Respirou fundo. De novo. Chegou ao trabalho. Descobriu, pouco depois, que seu corpo avermelhava. Estava mais do que explicado. 


Sem rumo. O mundo.

06:00:00

Sempre admirei aqueles homens e mulheres que, de uma hora para a outra, pegam suas coisas, reúnem coragem e trocados e vão conhecer alguma parte de algum lugar. Lembro de um amigo me contando, certa vez, algumas dessas pequenas aventuras. Sempre o considerei aquele perfil meio hippie, ligado à natureza, cheio de pensamentos de viver em comunidade, plantando alimento e cultura. Um cara que não esquenta com nada, que pega carona em beira de qualquer estrada e leva sempre consigo um violão. E lá se vai ele, tocando lindamente o clássico sisudo e o folclórico empolgante. Eu ficava encantada, pensando: quem sabe um dia não me aventuro assim? 

Anos mais tarde, comecei a pensar em, primeiro, conhecer melhor o meu estado, descendo o litoral dele, ao menos. Ainda não pus nada disso em prática. Penso que sempre fiquei esperando uma boa oportunidade. Mas, confesso, a boa oportunidade era, na verdade, a espera de uma companhia. Acho que não teria tanta coragem de parar no asfalto, fazer um sinal e esperar por um desconhecido. A realidade estraga demais muitas coisas.

De qualquer forma, ainda é um projeto e sei que a qualquer hora posso, mesmo na minha forma meio organizada e sem caronas, juntar minha mochila e uns panos e me jogar na estrada. 

Conhecer outros lugares me dá uma espécie de adrenalina. É como desbravar outros mundos, cores, cheiros, sabores, texturas e uma infinidade de outras coisas. E o melhor, é tão gostoso quando se recorda daquele lugar em que os pés tocaram. Às vezes vem aquele misto de nostalgia, alegria e, claro, vontade de pegar um avião de novo e rumar por aí. 

Quem sabe nas minhas próximas férias não faço algo assim? O mundo está aí para quem realmente o quer. Viajemos, então. 

Perdida no paraíso. 2014.



Light

06:41:00

Tenho pensado muito sobre o dom de estar vivo, de ter um caminho para seguir. Sendo assim, é nobre demais poder acordar e respirar profundamente, sentindo meus pulmões funcionando e me fazendo crer que mais um dia me foi concedido. Por que, então, eu deixaria em meu peito algo negativo?

Todos os dias eu me levanto e penso: hoje vou tentar com a força que estiver em mim desconstruir aquilo que pode me destruir, como sentimentos de raiva, mágoa, inveja. É, já pode imaginar. Há dias que apanho, muito, e me sinto cansada. Mas há outros tantos em que consigo olhar para o céu estrelado e sentir, apenas, a beleza do que sou e do meu potencial. 

Longe de mim, com este desabafo, insinuar me mostrar como alguém que se acha sábia. Não mesmo. Sabedoria só se conquista, a meu ver, com muita luta, punhado de dor e reconhecimento de que há sempre algo a ser feito. O que quero mostrar é que o pulsar de vida em mim é grande, mesmo quando acho que não. Eu tenho aprendido. E sim, aprender é uma das coisas mais belas da vida. 

Aprender me permite sentir, vivenciar, respirar, amar... Aprender me dá fôlego; me dá esperança.

Sempre.

Eu vou buscar, incansavelmente, manter a bondade como chama de minha vida. 


2.

06:48:00

Música que veio à cabeça. Do nada. Meiga. Doce. Apazígua.