E como a chuva que cai, que alimenta o orvalho, que dá de beber à terra, que saúda nossa vida e os dias de luta, o sol faz morada no mesmo céu, secando as dores, fortalecendo o verde que habita por perto, irradiando mais sorrisos, sonhos, energias que rodopiam nesses dias de chuva-sol incansavelmente bonitos e promissores. A todos esses dias, eu saúdo, eu brindo, eu rodopio com pés descalços. Serenamente me entrego e confio.
Semana começando assim, suave e no bom gosto haha!
Eu conhecia aqueles olhos. Eles tinham aqueles tons convergentes. Eles eram um mundo que envolviam, por hora, um tom marrom, em outro instante, um universo de um verde profundo, digno de confiança e encanto.
O olhar atravessava meu fÃsico. Parecia estar em busca do algo a mais em mim. Eles realmente enxergavam. Eles eram capazes de ouvir, de indagar, de assentir, de sorrir. Eles são tão vivos; são como expressivas pedras preciosas num mundo sujo. Eles são eternos.
Sempre fico muito feliz quando também consigo me expressar através da minha dança, por meio do meu corpo, de minhas feições e tudo que cerca essa arte que celebra meus dias. Então, quero compartilhar um pouco dessa minha singela arte com você.
Um vÃdeo simples, em um espaço pequeno, disposição vertical (eu sei, eu sei). Mas, tudo isso vira bobagem quando a alma da gente está entregue. Um abraço e fique bem!
Esta música e esta voz não saem da minha cabeça.
O que eu quero, agora? Isso me agonia. É como uma mágoa fazendo morada no coração.
Não quero as várias conversas vazias, ocas de sentimentos e regadas a desejos primitivos, mas também não anseio por profundidade que possa me levar a outro lugar.
Não quero noites de esquecimento, de sensação de vazio, mas também não posso dar conta, agora, de alguém me preenchendo.
Acho que cheguei a um em cima do muro totalmente desconfortável. Só consigo pensar em esquecer de mim mesma por alguns instantes, dando pausa a tudo que me inquieta e me afligi. Vai dar certo?
Nunca expus o que me levou a por o nome deste blog de Em Noites Brancas. Sinceramente, acho que isso talvez não importe para você. Mas, ainda assim, não por mim, ou pelo espaço, mas pelo o que realmente significa, eu deixo aqui a resposta: um belÃssimo livro, o Noites Brancas.
Eu o encontrei há muitos anos, em uma fase conturbada para mim. Estava emocionalmente instável, fruto de um rompimento de uma relação completamente instável e, ouso dizer, psicologicamente instável (quanto "instável" aqui).
O li rapidamente e, por algum motivo, me sentia conectada àquela história e desejava saber seu desfecho. Bem, qual não foi a minha surpresa ao conhecê-lo. Como um lindo romance talvez deva ser, o fim dele foi, ao menos para mim, triste e um tanto desolador.
Contudo, a parte final da história me tocou profundamente, de forma que até hoje não sei explicar. Talvez tenha sido o momento, a minha sensibilidade e a sensação da ficha caindo. Apesar de, eu desejava a ele que fosse feliz, fosse como fosse. Foi aà que compreendi que estava crescendo, me libertando de algo, pois era necessário, e começando a trilhar um outro momento de minha vida. Ok, há quem ache completamente piegas isso, ou chato. Mas o que posso dizer senão a verdade?
Naquele momento, quando li aquelas linhas, eu toquei o amor, eu o senti e aquilo foi suficiente para eu chorar e sorrir ao mesmo tempo. Desde então, principalmente, trago essa concepção dentro de mim. Podemos sofrer, não compreender os caminhos que a vida nos faz passar, o que nossas escolhas nos causam, mas, independente disso, eu desejo trilhar o caminho do amor, aquele em que se perdoa, que se despede das coisas ruins com o sorriso de quem muito aprendeu.
Enfim. Para quem se interessar, fica aà parte dessa história maravilhosa que amo. Um abraço.
"A mais premente condição de um ser humano era tornar-se um ser humano."
E o que é ser um ser humano? Ser um humano é ser em demasia? É ser e não saber? É conhecer, mas ainda assim perceber que a vastidão e o infinito não são tangÃveis?
Ser um ser humano é cobiçar a todo instante? É comprar guerras, matar e aniquilar?
Um ser humano é aquele regido por doses de amor, ódio e razão? Como nos tornamos aquilo que tanto pensamos não saber? O que somos se estamos na busca de ser, então?
Existimos mesmo não sabendo ser? O que é real? O que é natural? O que, de fato, somos? Um sopro de vida, poeira cósmica, energia, alma, espÃrito, consciência e inteligência limitadas?
Estamos realmente aqui?
Ei, você! Eu me lembro de você, de suas palavras sempre doces, apaziguantes, que nunca se foram de meu coração. Ei, você, que um dia se perdeu em sua escuridão, em seu lamento, valsando pelos dias sem fim. Ei, você, que a mim dedicou tantas folhas, sentimentos e palavras inatingÃveis. Ei, você, que saboreou vinho barato ao meu lado, que sorriu gentilmente para mim, que segurou minha mão quando me senti perdida.
Ei, você, que me aceitou em minha inquietação e me acolheu em abraços tão quentes em dias de um verão repleto de dor. Ei, você, que cantarolou comigo nossas pequenas canções perdidas no espaço.
Ei, você.. ei... ei, obrigada! Obrigada pelas canções, pelos poemas, pela amizade que eu ainda guardo com muito carinho dentro de mim.
Não sei onde está, quem é você, agora, mas saiba, eu lhe desejo o infinito dourado com asas de anjos.
Ei, você, apareça um dia, quem sabe... ao menos para nos dizer: I could say that I was peace, I was love, I was the brightness, it was part of me.
Fique bem, esteja onde estiver.
Eu andei por horas, pensei por tempo que parecia nunca mais ter fim.
Repassei falas de muitos momentos, sentidos, gestos que não passaram despercebidos. Eu vaguei pelas nuances do meu coração já calejado e solitário, assim como pelo cinza dos meus pensamentos truncados e cheios de desmazelo.
Eu só sabia me perguntar, questionar por coisas que pareciam nunca mais vir até mim. O que eu havia feito para merecer tanto esquecimento? Quem eu era nesta vida parca e lÃquida? Quem haveria de lembrar de meu nome, de algo que fiz?
Ai de mim que ando me esquecendo de horas, flutuando em nostalgias de dias não vividos e de sonhos interrompidos antes mesmo de se tornarem assim.
Ai de mim que sacrifiquei, cantei, enlouqueci e peitei dias. Ai de mim.... por mim, creio que quase ninguém faria.
Quem, por mim, amaria? Quem, em meu nome, renunciaria algo que tanto acalenta? Quem, em minha honra, ofereceria paz de sinceridades e verdades mil? Quem faria algo por mim? Quem, meu Deus, quem?
Ainda sim, me deito, todas as noites, esperançosa de céus azuis, de brigadeiro. Ainda, até mesmo neste instante, desejo, pois ainda creio na vida, em seu sentido enigmático e em sua força desmedida.
Eu ainda tenho fé. Eu ainda respiro.
"O que aprendemos com a amarga experiência é que essa situação de ter sido abandonado à própria sorte, sem ter com quem contar quando necessário, quem nos console e nos dê a mão, é terrÃvel e assustadora. Mas nunca se está mais só e abandonado do que quando se luta para ter a certeza de que agora existe de fato alguém com quem se pode contar, amanhã e depois, para fazer tudo isso se - quando - a roda da fortuna começar a girar em outra direção."
Zygmunt Bauman
"Lóri ligou o número de telefone:
- Não poderei ir, Ulisses, não estou bem.
Houve um pausa. Ele afinal perguntou:
- É fisicamente que você não está bem?
Ela respondeu que não tinha nada fÃsico. Então ele disse:
- Lóri, disse Ulisses, e de repente pareceu grave embora falasse tranquilo, Lóri: uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora da minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você, esse teu corpo que nem sequer é bonito, mas é o corpo que eu quero. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso."


