Olá, meu bem!

13:46:00


Há algum tempo, um amigo veio me contar que acabara de receber uma mensagem de sua ex, de quem ele ainda nutre sentimento. Talvez com o coração um pouco aflito, ele esperou terminar um trabalho para abrir o pequeno texto que começava com um "olá, meu bem, como vai?". Meu amigo, então, respirou um fundo, voltou sua atenção para mim e disse: Meu bem? Ela chama até o garçom de meu bem!

De imediato, achei engraçada a fala dele, afinal, que bom que vem mantendo seu bom humor, mesmo após o término, que ocorreu tão recentemente. Mas, depois, parei para pensar sobre. Como é esquisita a sensação de que num dia você foi grande parte de algo e em outro você é um “meu bem”. Não que o chamamento carinhoso não tenha mérito. Não é nada disso. Porém, antes, certamente o “bom dia” vinha incansavelmente, o “meu amor” era praticamente cantado e promessas faziam tudo engrenar e o mundo girar.

Agora, o bem querer se tornou, talvez, intenção de alguma amizade; de querer estar perto, mas não tão próximo ao ponto de um toque mais sensível. O que se passa no coração daquele que se torna o “meu bem”? Creio que não é uma resposta difícil de obter. Todos nós, ou a grande maioria, já teve uma experiência assim, isso quando o término acontece de modo pacífico. 

O “olá, meu bem” dele me fez refletir. O carinho não tão próximo me fez ver que por vezes construímos um mundo particular e o mantemos tão nosso que só a ideia dele se partir já nos consome. Quando, de fato, isso acontece, seja por qual motivo for, é inevitável não sentir, não trazer consigo o pesar. É o luto que se achega. É um laço que se desfaz. É o seu mundo se tornando cada vez mais, alargando-se para um afastamento em que o “meu bem” se cria e te faz acordar: o caminho continua. 


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