Marcas

18:19:00

Tenho cinco marcas em minha pele. A grande maioria preta e, apenas duas possuem tons, encontro de sentidos.

A primeira, feita em 2009, é a representação da imortalidade, o Ankh. Egípcio, o símbolo tem minha forte admiração. Uma vida após a morte... Como não desejar ardentemente uma outra chance? Sua escolha, então, foi muito natural, pois eu trazia essa crença de que o orgânico cessaria sim, mas a energia (ou alma, ou espírito, etc) não; ela seria perpetuada e levaria minha essência.

O Memento Mori surgiu em 2012, se não me falha a memória. De forma simples, seu significado, do latim, representa um canto: lembre-se de sua mortalidade. Muitos poderiam ter achado estranho, ou, quem sabe, um pouco soturno. Mas, pra mim, era uma questão de dualidade: em mim havia a esperança de um novo momento após algum desfecho. Uma vida após a outra. Lembrar-se da morte não precisa ser uma obsessão, mas sim internalizada como caminho natural. 

Em 2015, duas outras marcas. A primeira, desculpem-me o que falarei a seguir, caso soe sem qualquer modéstia, é linda! Eu deixei gravada uma árvore com um quê abstrato, repleta de cores, de intensidades, de suavidade. Incuti em sua estrutura de vida e de força o pulsar de um coração, que se esconde em meio sua raiz. O coração é o pulsar de tudo; é o cerne da questão. Já a que veio em seguida, meses depois, também é da mitologia egípcia. O olho de Hórus. Repousando delicadamente em um dedo, é um amuleto sentimental, lembrando-me da história de poder e de proteção. 

 A última, até então, nasceu neste ano. Ela é a junção de dois sentimentos nobres que venho buscando manter dentro de mim e em minhas ações: a paz e o amor. Pode parecer clichê, repetição, demagogia, o que mais vier à mente, não me importo. Eu sei, assim como todos vocês, a diferença que é viver em tempos tão malucos sentindo-se, de algum modo, mesmo que em momentos escassos, em paz e em harmonia com o que é mais importante. Já o amor, ah, dispensa qualquer apresentação. Se não respirarmos o amor e seguirmos em frente, como nos manteremos a salvo?






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