Primeiro encontro
10:27:00
Ele se sentou à minha frente e falava calmamente sobre coisas de sua vida. Eu gostei de ouvir. Era uma forma muito tranquila de soltar as palavras. Era um modo leve, beirando à falta de pretensão. O barzinho estava repleto de jovens estudantes recém-saídos de seus afazeres de universitários.
Bebemos bem pouco. Conversamos consideravelmente. No entanto, quase nunca seus olhos saíam de perto de mim. Eu retribuía sempre que falava, mas, na falta de assunto, olhava para todos os cantos, menos para ele. Era a velha sensação de vergonha. Flertar depois de um longo tempo num relacionamento pode causar isso.
Era um pouco estranho, digamos. Eu sentia meu estômago revirar, vontade de sair correndo de volta para minha cidade, as mãos frias. Por dentro, zombava de mim mesma. "Ué, cadê sua coragem agora, Bruna?". Mas, enfrentei todo esse vulcão queimando violentamente dentro de mim e dei a cara à tapa.
Saímos de lá e fomos andando até o carro. Continuamos a falar, e falar. Eu já não sentia mais estranheza.
Ele foi gentil e me trouxe até perto de casa. Até então, só seus olhares diziam o que ele queria: me desafiar. Quando chegamos, ele não perdeu muito tempo e me deu um beijo. Nos despedimos e eu fui para casa pensando como era bom me sentir assim, viva, dona de mim, certa de que era assim que queria estar.
Deitei na cama e sorri. Foi bom o primeiro encontro.
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