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Existe uma poesia não declamada nos olhos que veem além, que rodeiam a alma, que discutem o indiscutível, que dissecam o que está ali. Existe uma música inaudita nos olhos que vertem esperança, que constroem amor, que suplantam a dor. 

Existe um sentimento que aplaca os mistérios e eleva o que ainda sobrou no receptáculo de luz/sombra que habita cada peito. 

Todos os olhos podem ver, mas enxergar é uma dádiva. Todos os olhos podem se enviesar pelo sentir e jorrar feito uma fonte, mas dificilmente todos os olhos buscarão alento em meio ao próprio redemoinho de queda.

Que meus olhos transbordem; que eles sintam, que não me enganem. Que meus olhos sejam extensão do meu pulsar, do sentir que corre por essas veias falhas e datadas. 

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