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Tem sido recorrente nos últimos tempos eu acordar com o coração apertado, com uma angústia pesada - uma que quase rouba o ar -, e sentindo tons de desespero. 

Nunca me recordo como e quando começa, mas é sempre associado à morte. Como por estalo eu semi-acordo do mundo onírico e lá, distante, mas não o suficiente para não ser pensado e ouvido, eu vejo, eu toco, eu vivencio o pensamento: e quando ela, e quando ele morrer?

E QUANDO VOCÊ MORRER?

Meu coração, mais que depressa, explode numa dor sufocante, como se me arrancassem uma porção física. O peito fica pesado. Mesmo acordada, olhando para o teto e respirando a realidade, a de que estamos todos vivos, a sensação não me deixa. Sinto meus olhos queimarem, me sinto como uma menina outra vez, implorando à vida para que não faça seu curso natural.

Tem sido recorrente e eu não entendo o motivo. Me sinto culpada por dormir. Parece que ao fazer esse gesto tão natural e essencial meu inconsciente me afasta da minha vida real e me faz pensar no pior. Então levanto, ainda sentindo o ar atravessar meu corpo de forma difícil, e me pergunto por que não faço mais do que até agora; por que ainda estou sentada na cama.

Me sinto pequena, me sinto impotente e despreparada para o curso da vida. Sinto que essa angústia pode vir a se tornar uma velha conhecida. 



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