Respiro

17:27:00

Eu andei por horas, pensei por tempo que parecia nunca mais ter fim. 

Repassei falas de muitos momentos, sentidos, gestos que não passaram despercebidos. Eu vaguei pelas nuances do meu coração já calejado e solitário, assim como pelo cinza dos meus pensamentos truncados e cheios de desmazelo. 

Eu só sabia me perguntar, questionar por coisas que pareciam nunca mais vir até mim. O que eu havia feito para merecer tanto esquecimento? Quem eu era nesta vida parca e líquida? Quem haveria de lembrar de meu nome, de algo que fiz?

Ai de mim que ando me esquecendo de horas, flutuando em nostalgias de dias não vividos e de sonhos interrompidos antes mesmo de se tornarem assim.

Ai de mim que sacrifiquei, cantei, enlouqueci e peitei dias. Ai de mim.... por mim, creio que quase ninguém faria.

Quem, por mim, amaria? Quem, em meu nome, renunciaria algo que tanto acalenta? Quem, em minha honra, ofereceria paz de sinceridades e verdades mil? Quem faria algo por mim? Quem, meu Deus, quem?

Ainda sim, me deito, todas as noites, esperançosa de céus azuis, de brigadeiro. Ainda, até mesmo neste instante, desejo, pois ainda creio na vida, em seu sentido enigmático e em sua força desmedida. 

Há em algum lugar e em algum dia alguém que olhará com verdadeira ternura para meus olhos, que cantará sua serenata de amor puro e que me mostrará aquilo que fiz questão de esquecer.

Eu ainda tenho fé. Eu ainda respiro.


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