07:21:00
Meados de 2011. A gente ingressou num pequeno grupo que tinha um sonho (como todos os demais): tentar fazer algo para mudar a realidade lixo a qual estávamos submetidos. Fizemos pequenas manifestações, dando nosso melhor, cada um a seu modo.
Infelizmente, não durou tempo suficiente. Talvez tenhamos passado para alguns como algum tipo de grupo que pretendia perturbar, apenas, como geralmente manifestantes são vistos. Contudo, para nós, bem, a visão era completamente diferente. A gente queria gritar sim, provocar sim. A gente queria clamar, pegar de volta o que era nosso, trazer mais gente. A gente queria fazer algo, queria mostrar à sociedade que é possível se a maior parte se unir.
Hoje, uns cinco anos depois, vejo meu país aparentemente cada vez mais afundado, empobrecido, repleto de pessoas cada vez mais sem nada, sem direitos, sem esperança, sem vida. Estamos sobrevindo a esses dias.
Nestes anos, vimos um gigante acordar, dormir, remexer, tentar fazer algo, mas, agora, a impressão que tenho é que nada mais adianta. O sistema está nos engolindo. A violência está comendo tudo por onde passa. Estamos completamente isolados, dentro de nossas casas, impotentes. Muitos sentem raiva, querendo fazer justiça com as próprias mãos, ter porte de arma ou algo do tipo.
Eu só quero sentir de novo, algum dia, alguma esperança pelo meu país, pelo meu estado. Eu só quero acordar num amanhã melhor, em que o zumbido de sirenes não seja tão comum, em que professores sejam respeitados, em que alunos tenham uma educação de qualidade e que os faça pensar, que os tornem protagonistas e ativos; um Brasil em que estudante também tem voz e não seja visto como baderneiro e desocupado.
Ainda tenho um que de sonhos, confesso, mas parece que a cada dia se esvai um pouco. É um cansaço latente, que nos faz acomodar em meio ao caos e dor. Introduziram o caos.

0 comentários