Lua [Parte 2]

10:49:00



2.
Levantou sobressaltada. Era manhã, sol a pino, e ela sequer havia sentido a necessidade de se manter acordada, como era de sua natureza. - O que está acontecendo? -, olhou ao redor, não reconhecendo seu quarto de toda uma vida cansada. Parecia que as coisas estavam fora do lugar, com cor em demasia e cheias de outros sentidos. 

A noite era sempre um flerte; um flerte com o outro lado de alguma vida, com alguma atitude que a manhã sempre desmantelava. A noite era o dia para ela; o espaço para devanear e dar às suas vontades as asas que lhe faltavam. Já o dia era a realidade massacrando desejos e sonhos. O dia era o sol invadindo sua janela sem cortina; era o tapa na cara que nunca lhe faltara. O dia era a morte de sua luz.

- Como não acordei antes? O que está havendo? Como vim parar aqui sem qualquer escolha? - As perguntas a dilaceravam.

Lua sempre foi de se perguntar, de se indagar sobre tudo. Perder a linha de raciocínio não era para ela. Não mesmo. Lua apreciava a noite, pois ela lhe trazia alguma sensação, mesmo que falsa, de paz. A noite lhe dava respostas e um aconchego que jamais havia recebido em sua vida. Não ter estado na noite, pela primeira vez, foi-lhe assustador. Mas, ao olhar para o seu conto sob a mesa, finalmente terminado, compreendeu...


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1 comentários

  1. A noite realmente é um sinônimo de tranquilidade e aconchego. E me apaixonei tanto por "O dia era a morte de sua luz", muito embora a Lua não deixe de existir, mesmo que nas sombras... que, aliás, servem de aconchego para seu descanso... que tal?
    Apaixonada por sua Lua, que se encontra com a minha...

    Beijo.

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