Doce/amargo vinho

17:56:00

Levantei do sofá após beber uns três ou quatro copos, isso mesmo, copo (e tosco), de um vinho nem seco e nem suave. Estava sentindo meu corpo pesado, mas não aquele peso de quem quer hibernar, como quando se está bêbado. Sentia um torpor em todos os meus membros e uma paz dentro da minha mente que há dias não sentia.

Ficava meio perdida nos pensamentos, que insistiam em ser mais lerdos. Faz parte do show de querer encontrar no álcool um minuto de sossego. Eu merecia. Mais cedo, após um dia extremamente triste e estressante, sentia minha musculatura enrijecida e dolorida, o que me matava durante a hora do trabalho. 

Nesses dias ruins, tomar uma cerveja ou um pouco de vinho costumava ajudar. Eu saía um pouco do ar, do meu ímpeto de ter tudo que era meu sob controle. E era assim que eu estava. Me sentindo flutuar pela casa, sem preocupações, sem mágoas, tristeza ou qualquer sentimento que me deixasse para baixo.

Foi aí que me lembrei de muita coisa e tive receio. Meu receio vinha lá do fundo de mim. Eu tinha medo de que não conseguisse mais sorrir da mesma maneira para quem estava próximo; tinha receio de não conseguir abrir meu peito do jeito que gostava, escancarando tudo. Tive medo de não conseguir mais me aproximar da forma como sempre busquei cultivar. A vida às vezes pode nos maltratar. A vida não, convenhamos. Nós mesmos.

Somos simplesmente aquilo o que escolhemos e o caminho pelo qual decidimos andar.

Sentei em frente ao notebook e senti vontade de ouvir uma música. Coloquei qualquer coisa que estava em alguma pasta perdida por aí e respirei fundo. Será que essa sensação acabaria, iria embora? Definitivamente, eu não estou nesta vida para ser coadjuvante. Eu estou aqui para ser, para me descobrir mais e crescer.

Então, num gesto brusco, pausei a música, senti ela ainda pulsando nas minhas veias e decidi que dali em diante não deixaria mais um receio me paralisar. Basta de receios. Viva a vida e o vinho!




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