Perigo azul

17:52:00

- Por que você não esquece esse cara e volta a ficar comigo? - Ele me perguntou na maior cara de pau (bem, ao menos eu achei).

- Para! A gente tá ficando sem compromisso, mas, sei lá, acho que pode dar em alguma coisa.

Eu dizia aquilo, mas eu já não tinha muita certeza de nada. Aqueles olhos azuis me tiravam, naquele instante, do meu rumo. Era impossível não se perder naquelas cores, afinal, isso já havia acontecido.

A gente estava numa mesa de um barzinho meio metido a besta, não muito próximos. Era um reencontro, após muitos meses. Ele do nada caiu na minha vida de novo, após mandar uma mensagem, dizendo que achava ter me visto numa festa. Eu ri. Acho que conhecia aquela estratégia para puxar assunto, como quem não quer nada. O que confirmou meu pensamento foi o "saudade"escrito por fim.

Nem me recordo direito por qual motivo a gente tinha deixado de se ver. Deve ter sido alguma discussão, algo assim. Foi um caso que durou apenas dois encontros, eu acho. E hoje, quando relembro, acho meio bizarro como duas pessoas se encontram na vida e já tretam em tão pouco tempo. 

Mas, de volta ao acaso causado por ele, lá estávamos nós, de novo, sentados, um de frente para o outro, e ele me encarando com aquele sorriso de canto de boca e aqueles olhos que me desconcertavam.

- Ah, Bruna, eu duvido um pouco disso. Se ele tá até agora com você e não falou nada, não acho que vai dar em algo. Fica comigo, porque comigo é certo.

Eu achava aquela tentativa de me "roubar" de um cara engraçada. Parecia bem coisa de homem seguro de si (ou do rolo que tivemos muito antes). Eu soltei um risinho misterioso e resolvi mudar de assunto.

- Vou viajar, semana que vem. Dar uma turistada.

- Viaja não. Fica comigo!

-  Você não desiste, né?!

- Não vai, por favor! Fica! E fica comigo! 

Ele apenas articulou os lábios naquele sorriso largo e encantador. Eu estava perdida. 

Passamos boa parte da tarde e da noite assim, flertando, conversando e bebendo uma boa cerveja gelada. Quando dei por mim, ele já estava sentado ao meu lado, próximo, bem próximo. 

Então aconteceu o que era, para mim, impossível não acontecer. Nos beijamos com muita vontade. Parecia um casal que não se via há muito tempo e que deseja muito tirar a saudade do peito. Não era bem esse o caso, mas fica a visão. 

Assim que o beijo acabou, ele olhou para mim, bem de perto e, novamente, sorriu. Então se levantou e foi até o banheiro. Eu só conseguia pensar que estava ferrada. O perigo tinha nome, sobrenome, endereço e cor. Era azul como o mar.

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